Das três denúncias encaminhadas à delegacia, duas de estupro e uma de importunação sexual, apenas uma era verdadeira. O caso aconteceu no dia 15 de abril, dentro do campus da UFC no Bairro Pici, em Fortaleza. Segundo a delegada, o relato da adolescente sobre um segundo caso, no dia 22 de outubro, se baseou na primeira ocorrência. No entanto, ela informou o suposto estupro não teria ocorrido dentro do ambiente da universidade.
“Elas relataram outras situações de violência do passado, que são de onde vem a vingança, mas que não justificam de forma nenhuma execrar outra pessoa. O rapaz não tem nada a ver com a história. Foi uma vingança porque ele representou, simbolizou, toda uma dor coletiva, um caos coletivo, e ali julgaram ele”, explica a delegada, considerando que as jovens “prestaram um desserviço às mulheres”, disse a delegada.
Diante das acusações, um universitário ficou preso durante seis dias, no DHPP, no Bairro de Fátima. Porém, na tarde da última quinta (31), a Justiça Estadual revogou a prisão do jovem após pedido da própria Polícia Civil e ele foi solto. “A gente tem a missão de protegê-lo. Houve um linchamento virtual”, afirma Arlete Silveira.
Para forjar a narrativa do estupro, a adolescente criou duas contas falsas na rede social Instagram e passou a enviar ameaças para ela mesma, mas atribuindo-as a um universitário. Contudo, conforme a delegada, nenhum rastro foi encontrado nos aparelhos eletrônicos do estudante. Já nos da jovem, a polícia encontrou.
Uma das mensagens dizia: “nós se encontra já, ainda bem que 'tá' de saia já ajuda no trabalho, tem gente te seguindo aí dentro gatinha, acho bom você ficar esperta”. Por outro perfil, ela enviou: “cansei de brincadeira. Se eu te pegar sozinha pelo Pici, não vai ter perdão eu vou fazer o que eu sempre quis com você”.
Investigação
Em nota emitida na semana passada, a UFC informa que abriu sindicância para apuração e adoção de “providências cabíveis”.
“Ao mesmo tempo em que repudia, veementemente, todo e qualquer ato de violência, a UFC informa que o procedimento de sindicância é realizado sob sigilo, a fim de preservar os nomes das vítimas e de não prejudicar as investigações”, declarou a Universidade.


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