As glórias do Ferroviário dentro de campo sempre tiveram um apoio de peso na arquibancada. Ivone Maria de Nascimento Sousa, ou respeitosamente Dona Ivone, ficou marcada pela liderança e animação na torcida coral durante os jogos. Mas a rotina será diferente na volta das competições. Na última segunda-feira (29), a costureira de 74 anos entrou para a estatística de vítimas de Covid-19.
Apesar do luto, as memórias de Dona Ivone devem ficar eternizadas na memória da torcida coral, da qual já é considerada ídolo. A costureira começou a acompanhar o Tubarão mais de perto a partir dos seis anos levada pelo pai. Ele era maquinista da antiga Rede de Viação Cearense, precursora da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), empresa cujos funcionários fundaram o Ferroviário. Em mais de 60 anos, a única partida em que ela esteve ausente foi em 1996 na ocasião da perda da mãe.
- Ela não perdia um jogo, e quando foi se formando a torcida, ela foi liderando mesmo. Era ela quem organizava, ela quem costurava as bandeiras. Os fogos também, os instrumentos da bateria, os meninos mais novos, os ônibus que iam para o estádio. Tudo era da casa dela - declara Milca Marques, sobrinha da costureira.
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Dos pés à cabeça: Dona Ivone era apaixonada pelo Ferroviário — Foto: Arquivo Pessoal
Dona Ivone ficou tão característica como torcedora do Ferroviário que a paixão acabou atravessando gerações. Milca Marques lembra com carinho que a tia fez com que todas as sobrinhas passassem a torcer pelo clube coral, e que a importância e a imponência da torcedora ilustre nos jogos eram motivo de orgulho.
- A gente acompanhava mesmo, e todas as sobrinhas também gostam do Ferroviário. A paixão ia passando de uma para a outra. A gente acompanhava e se achava muito importante porque tinha festa, essas coisas, e era tudo junto com ela. A festa no estádio, entrada, chegar perto de jogadores, isso para gente na época era muito importante - destaca.
Noivo rival
Durante muitos anos, Dona Ivone foi casada com José Militão de Sousa, também torcedor do Ferroviário e falecido em 2002. Mas antes de casar, a costureira foi noiva de outro homem, e o relacionamento foi terminado pela própria pelo fato de o então futuro marido ser torcedor do Fortaleza.
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Dona Ivone (ao centro) foi uma das premiadas com o Tubarão de Ouro em 2019 — Foto: Xandy Rodrigues
- O marido, quando ela casou, também era Ferroviário, mas antes ela teve um noivado e terminou porque o cara torcia Fortaleza. Era doida pelo Ferroviário - resume Milca.
A importância da torcedora coral vai muito além das arquibancadas e entra na própria organização do clube. Segundo o pesquisador da história do Ferroviário, Evandro Gomes, Dona Ivone ajudou a fundar a principal torcida organizada do time, além de contribuir para os marcantes foguetórios característicos em jogos do Tubarão.
FONTE:G1/FUTEBOL CEARENSE

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