quinta-feira, 2 de julho de 2020

60 anos na torcida pelo Ferroviário e ausência em só um jogo: vítima da Covid-19, Dona Ivone foi rara

As glórias do Ferroviário dentro de campo sempre tiveram um apoio de peso na arquibancada. Ivone Maria de Nascimento Sousa, ou respeitosamente Dona Ivone, ficou marcada pela liderança e animação na torcida coral durante os jogos. Mas a rotina será diferente na volta das competições. Na última segunda-feira (29), a costureira de 74 anos entrou para a estatística de vítimas de Covid-19.

Apesar do luto, as memórias de Dona Ivone devem ficar eternizadas na memória da torcida coral, da qual já é considerada ídolo. A costureira começou a acompanhar o Tubarão mais de perto a partir dos seis anos levada pelo pai. Ele era maquinista da antiga Rede de Viação Cearense, precursora da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), empresa cujos funcionários fundaram o Ferroviário. Em mais de 60 anos, a única partida em que ela esteve ausente foi em 1996 na ocasião da perda da mãe.

- Ela não perdia um jogo, e quando foi se formando a torcida, ela foi liderando mesmo. Era ela quem organizava, ela quem costurava as bandeiras. Os fogos também, os instrumentos da bateria, os meninos mais novos, os ônibus que iam para o estádio. Tudo era da casa dela - declara Milca Marques, sobrinha da costureira.

Dos pés à cabeça: Dona Ivone era apaixonada pelo Ferroviário — Foto: Arquivo Pessoal

Dona Ivone ficou tão característica como torcedora do Ferroviário que a paixão acabou atravessando gerações. Milca Marques lembra com carinho que a tia fez com que todas as sobrinhas passassem a torcer pelo clube coral, e que a importância e a imponência da torcedora ilustre nos jogos eram motivo de orgulho.

- A gente acompanhava mesmo, e todas as sobrinhas também gostam do Ferroviário. A paixão ia passando de uma para a outra. A gente acompanhava e se achava muito importante porque tinha festa, essas coisas, e era tudo junto com ela. A festa no estádio, entrada, chegar perto de jogadores, isso para gente na época era muito importante - destaca.

Noivo rival

Durante muitos anos, Dona Ivone foi casada com José Militão de Sousa, também torcedor do Ferroviário e falecido em 2002. Mas antes de casar, a costureira foi noiva de outro homem, e o relacionamento foi terminado pela própria pelo fato de o então futuro marido ser torcedor do Fortaleza.
Dona Ivone (ao centro) foi uma das premiadas com o Tubarão de Ouro em 2019 — Foto: Xandy Rodrigues

Dona Ivone (ao centro) foi uma das premiadas com o Tubarão de Ouro em 2019 — Foto: Xandy Rodrigues

- O marido, quando ela casou, também era Ferroviário, mas antes ela teve um noivado e terminou porque o cara torcia Fortaleza. Era doida pelo Ferroviário - resume Milca.

A importância da torcedora coral vai muito além das arquibancadas e entra na própria organização do clube. Segundo o pesquisador da história do Ferroviário, Evandro Gomes, Dona Ivone ajudou a fundar a principal torcida organizada do time, além de contribuir para os marcantes foguetórios característicos em jogos do Tubarão.

FONTE:G1/FUTEBOL CEARENSE

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