Fortaleza é o município com maior número de casos de dengue com sinais de alarme (DCSA) do Ceará. A capital contabilizou 71 manifestações alarmantes da doença - o equivalente a 48% dos 146 casos registrados no estado em 2020. A forma grave da dengue (DG) também está mais presente na capital: 5 das 12 ocorrências registradas no estado acontecerem em Fortaleza - duas delas evoluíram para óbito.
Os dados são do boletim epidemiológico sobre arboviroses publicado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) na última sexta -feira (26).
A Sesa considera como sinais de alarme a manifestação de dor abdominal persistente, sinal de sangramento e tontura, além dos sintomas clássicos da dengue.
Entre os dias 1° de janeiro e 20 de junho deste ano, o Ceará contabilizou 11.082 infecções relacionadas à doença, um aumento pequeno em relação ao ano passado, quando 9.881 manifestações foram contabilizadas.
A pandemia de Covid-19 pode estar por trás da frequência dos casos com sintomas mais agravados, avalia o médico epidemiologista Anastácio Queiroz. “Com a pandemia, os casos mais leves podem estar passando despercebidos porque as pessoas temem ir às unidades de saúde. Mas os casos com maior gravidade não, não tem como passar despercebido porque as pessoas são mais sintomáticas. O que pode estar acontecendo é que nós estamos diagnosticando os casos mais graves”, analisa.
Para o médico, o comportamento da arbovirose na capital é outro fator a ser levado em consideração, já que a infecção circula em Fortaleza há pelo menos três décadas.
“Fortaleza convive com a dengue desde 1986. A grande maioria das pessoas já teve dengue uma vez. Pela própria dinâmica da doença, isso aumenta a chance de ter a manifestação mais grave”, aponta.

Casos de dengue dobram na capital
Dois sorotipos
Segundo o boletim da Sesa, Fortaleza é o único município cearense onde dois sorotipos da dengue (DENV 1 e DENV 2) circulam ao mesmo tempo. É uma continuidade da situação de 2019, quando a cidade também registrou a manifestação dupla. Mas, à época, além da capital, os municípios de Jati, Iguatu, Maracanaú e Palhano também indicaram a circulação simultânea.
“Essa circulação ao mesmo tempo pode aumentar a chance de a doença infectar mais pessoas. Se você pegou uma versão anterior, por exemplo, está imune aquela, mas não a outra, e pode ser infectado de novo”, articula Anastácio. “Por isso, é importante que, se você não está bem e piorando, não espere ficar mais grave e se dirija logo a uma unidade de saúde”, recomenda o médico.
Sobre a incidência da doença na capital, Anastácio percebe como um ciclo. “Em um ano circula mais um do que outro. Se circula muito um tipo neste ano, no próximo ano circula menos, já que a população está menos suscetível. Mas pode acontecer uma triagem das manifestações mais graves com isso. Estamos diante da possibilidade das pessoas adoecerem com a versão mais grave da doença” reforça.
Aedes aegypti
A capital também acumula mais casos de dengue em relação ao mesmo período no ano passado. Neste ano, foram 4.661 ocorrências da doença, segundo o boletim epidemiológico mais atual da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), atualizado no dia 26 de junho. É um aumento de 102% em relação ao mesmo intervalo em 2019, quando 2.298 casos foram registrados.
Contudo, apesar dessa superioridade, o boletim da SMS indica que a transmissão permaneceu dentro do padrão endêmico do município.
O comportamento do mosquito Aedes aegypti, vetor das arboviroses dengue, zika e chikungunya, é monitorado pela Sesa. A pasta utiliza o Levantamento Rápido de Índice para Aedes Aegypti (LIRAa/LIA) e publicou o seu primeiro levantamento deste ano. Nele, Fortaleza é um dos 38 municípios considerados com média infestação. O restante do estado tem um diagnóstico mais promissor em que 75% dos municípios cearenses marcaram menos de 1% de infestação - índice considerado satisfatório.
Ainda de acordo com a avaliação, os focos do mosquito predominaram nos depósitos localizados ao nível do solo em 68,2% (tais como cisterna, tambor e tanque), seguidos pelos depósitos móveis (vasos ou pratos de plantas, bebedouros de animais).
Fonte:G1/CE

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