quarta-feira, 8 de março de 2023

Violência contra mulher: 61% das vítimas no Ceará admitem que filhos presenciaram cenas

 

No contexto de agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais, além do assédio e da discriminação baseada no gênero, o Ceará acumula dados alarmantes. O 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou que o Estado cearense é o segundo do país com a maior taxa de homicídios de meninas e mulheres. De acordo com o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa em 2020 foi de sete mortes a cada 100 mil mulheres cearenses. Aquele ano contabilizou 329 vítimas.Segundo pesquisa realizada no ano passado pela Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE), de 518 mulheres entrevistadas, 71,04% têm filhos com o agressor e 61% delas revelaram que os filhos presenciaram as cenas violentas.“Isso é um dado alarmante porque o estresse psicológico com a situação pode fazer com que essa criança venha a repetir ou aceitar ser vítima de relações abusivas no futuro. Além desses números, a pesquisa revelou que 20% das mulheres ouvidas vivenciaram violência doméstica na casa dos pais quando criança ou adolescente. É um crime que atinge as futuras gerações e nos demonstra que cada vez mais todos os órgãos que compõem a rede de proteção a essa mulher precisam estar juntos para que as pessoas não tenham isso como algo comum”, pontua a supervisora do Nudem Fortaleza, defensora Jeritza Braga.

No Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (Nudem) de Fortaleza, 8.296 procedimentos foram registrados somente em 2022. Ao chegar, a mulher é convidada a participar de um levantamento realizado pelo departamento psicossocial para conhecer melhor o perfil da vítima, trazendo à tona questões que auxiliam a identificar se vivenciaram situações de violência na casa dos pais, se conhecem a Lei Maria da Penha, se ainda residem com o agressor ou têm filhos com ele, etc.O perfil da vítima traçado pela análise indicou que, na maioria dos casos estudados, trata-se de uma mulher preta ou parda (82%), solteiras (54%), que viviam maritalmente com seus ex-companheiros, que possui Ensino Médio completo (37,45%), está desempregada (19,4%), ou trabalha como autônoma informalmente (34%), tem a renda mensal de até um salário mínimo (67,76%), sendo 43,6% participantes de Programas de Transferência de Renda (bolsa família e BPC), reside na Regional V (11,97%) e já sofre com a violência há mais de seis anos (40%) de um agressor que já é reincidente (67%).

A violência pode vitimar mulheres em qualquer fase da vida. Entretanto, conforme o levantamento da DPCE, a maior parte das vítimas (31,08%) tinham entre 26 a 35 anos. Em seguida, 25,29% pertenciam à faixa etária entre 36 a 45 anos.



Fonte:Opinião CE

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