Foi um começo de gala para o principal torneio de futebol do planeta. Média de gols alta, craques em ascensão, seleções brilhando, torcidas do mundo todo enchendo os estádios. A cada jogo que passa, a Copa do Mundo do Brasil prova que pode se tornar o melhor Mundial da história. Os números ajudam a comprovar a expectativa. Fazia tempo que uma Copa do Mundo não começava com tantos gols. Muito tempo. Desde 1958, a média de um Mundial não superava a marca de três gols por jogo. Considerado o período em que a Copa do Mundo passou a contar com 32 seleções divididas em oito grupos, em 1998, isso nunca acontecera (leia mais no quadro abaixo). Em 2014, a primeira rodada trouxe nada menos que 49 gols – em 2010, foram apenas 25.O gol é o detalhe mais importante do futebol, mas não apenas ele faz desta Copa a melhor em décadas. As partidas têm sido emocionantes, e as viradas corriqueiras. Foram seis na primeira rodada – um recorde histórico em Copas. Brasil, Holanda, Costa do Marfim, Suíça, Costa Rica e Bélgica saíram atrás no marcador para vencer no apito final. Nos últimos quatro Mundiais, isso acontecera apenas uma vez na primeira rodada. A alta frequência de viradas é resultado de seleções jogando de maneira ofensiva. Os gols saíram mais rapidamente: dos primeiros 60 gols da Copa, 15 vieram em 30 minutos. Resultado: os adversários buscam a virada até o fim – e 25 gols saíram na meia hora final do jogo.A qualidade do futebol até agora apresentado nesta Copa é um motivo real de preocupação para a Seleção Brasileira. Para sermos campeões, precisaremos passar por adversários que têm jogado bem melhor que o Brasil – sobretudo o Brasil hesitante que empatou em zero a zero com México na última terça-feira, em Fortaleza. Nenhuma lista de favoritos à taça poderia excluir os donos da casa, ainda mais quando são os únicos pentacampeões mundiais. Mas outras quatro seleções despontam como ameaças ao sonho do Hexa: Holanda, Alemanha, Itália e – naturalmente –Argentina.
O melhor exemplo do futebol ofensivo na Copa vem da Holanda de Arjen Robben e Robin van Persie. Os oito gols marcados em dois jogos, cinco contra a atual campeã Espanha e três contra a Austrália, foram mais do que se esperava de uma equipe que, apesar de tradicional, chegou pouco badalada ao Brasil. O técnico Louis van Gaal armou o time no contra-ataque. O objetivo era atrair o adversário e dar liberdade para seu ataque. O meia Sneijder e os rápidos Robben e Van Persie ficaram livres e não precisaram se preocupar tanto com a marcação. Deu certo. Seis dos oito gols saíram dos pés da dupla de ataque. Aprendiz de Rinus Michels, o treinador da revolucionária seleção holandesa dos anos 1970, apelidada de Laranja Mecânica, Van Gaal é um apaixonado pelo futebol ofensivo – mesmo que, no papel, seu esquema pareça defensivo.O rol de favoritos ao título que arrasaram na primeira rodada inclui a Alemanha. Considerada favorita por dez entre dez analistas esportivos antes da Copa, a seleção alemã mostrou que havia mesmo motivo para tanto otimismo. No indiscutível 4 a 0 contra Portugal de Cristiano Ronaldo, os alemães fizeram tudo o que vinham fazendo nos últimos meses. Jogaram um futebol simples, baseado em troca de passes rápidos e objetivos. Não se veem lances de efeito em campo. A defesa é firme e desarma com facilidade. Os dois ótimos volantes, Khedira e Lahm, dão excelente saída de bola para a equipe. Uma linha formada por Özil, Götze e Kroos garante que a bola chegue com frequência a Müller, um falso centroavante que fez três gols logo na estreia. A equipe ainda se dá ao luxo de ter no banco jogadores como Schweinsteiger, Podolski e Klose, que só precisa de mais um gol para igualar Ronaldo como o maior artilheiro da história das Copas.A sempre perigosa Itália, do técnico Cesare Prandelli, superou uma rápida e jovem Inglaterra no temido calor de Manaus. Famosa por seu excessivo zelo defensivo, a Azurra venceu os ingleses por 2 a 1. A filosofia de Prandelli destoa do histórico da Itália. Em vez de jogar no contra-ataque, a equipe prefere manter a posse de bola e trocar passes. A Itália foi a seleção com o melhor índice de acerto de passes na primeira rodada e a terceira seleção a mais trocar passes na Copa. Uma escolha filosófica que já valeu um apelido: Tiki-Itália, referência ao ameaçado tiki-taka da Espanha campeã do mundo e eliminada da Copa. As trocas de passes dão vazão às três principais opções ofensivas da Itália: as chegadas à linha de fundo de Candreva, pela direita, à procura do centroavante Balotelli, as infiltrações de Marchisio e a bola parada do veterano Pirlo.
A Argentina, como sempre, também impõe medo. Não estreou bem contra a Bósnia-Herzegóvina, mas conta com um ataque de fazer tremer qualquer defesa. Di Maria, Messi e Agüero são as peças principais do esquema tático do técnico Alejandro Sabella. Na estreia, com a entrada do atacante Higuaín no lugar de Maxi Rodriguez, o esquema passou a beneficiar Lionel Messi, que se sente melhor jogando pelo meio. O ponto fraco do time é a defesa.
A tendência no futebol mundial é ter defensores que saibam sair jogando, rechear o meio de campo de jogadores com qualidade técnica e chegar ao gol mais rápido – sem correr o risco de perder a bola com lançamentos longos ou cruzamentos. É a valorização da posse de bola, aliada à incisividade no ataque. O ranking dos 100 melhores jogadores do mundo da revista britânica FourFourTwo comprova. Em 2007, dez dos 30 melhores da lista eram defensores. Agora, há quatro – e o melhor deles, Philipp Lahm, passa a maior parte de seu tempo no meio-campo. A Copa brasileira mostra que o mundo vive uma era de ouro para o ataque. Táticas mais ofensivas, filosofia de jogo mais ofensiva e as superestrelas do futebol que mais nos assustam nesta Copa: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Andrea Pirlo, Luis Suárez, Thomas Müller, Robben e Van Persie.
Fonte:ÉPOCA/COPADOMUNDO

Nenhum comentário:
Postar um comentário