Muita coisa já foi imaginada nos últimos sete anos, desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa. O torneio começa nesta quinta-feira, às 17h, com Brasil x Croácia, na Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste de São Paulo . Não dá para cravar ainda se esta será a Copa das Copas, como já disse a presidente Dilma. Ou se será a Copa das manifestações, como a indignação de brasileiros em protestos de junho passado faz supor.O que se sabe é que será a Copa dos campeões, com todas as oito seleções que já ganharam o torneio. E será disputada no país do futebol, 64 anos depois do outro Mundial que o Brasil recebeu. Nos próximos dias, todos saberão se o Brasil vai conseguir "dar um jeito", mesmo com obras inacabadas. A expressão está na música que Alexandre Pires vai cantar na festa de encerramento da Copa, em 13 de julho, no Maracanã.
Quando o Brasil foi escolhido como sede, Claudia ainda era vocalista do Babado Novo. Michael Jackson e Dercy Gonçalves estavam vivos. E manifestar não era um verbo tão conjugado por brasileiros. Perto daquele 30 de outubro de 2007, Paulo Coelho e Romário eram a favor da Copa no Brasil. Hoje, são dois dos mais incisivos críticos do evento. Outros insatisfeitos podem se reunir em manifestações marcadas com ajuda das redes sociais. É a turma do "Não vai ter Copa".
Pouco mais de um ano antes do campeonato, o Brasil viveu o pico dos protestos. Em 20 de junho de 2013, passeatas pelo país reuniram 1,25 milhão de pessoas. A adesão caiu depois, mas brasileiros passaram a se acostumar com gente na rua e luta por direitos. Nas últimas semanas, paralisações de serviços públicos fizeram parte da rotina em várias cidades. A greve do Metrô em São Paulo poderia atrapalhar a abertura da Copa. Mas os metroviários descartaram a paralisação, a menos de 24 horas do pontapé inicial.
Nas ruas, o clima copeiro demorou a pegas, mas já colore ruas e enfeita carros, mesmo que o entusiasmo não seja o de outras Copas. Gastando tinta verde e amarela ou não, brasileiros parecem ter certeza de uma coisa: após eliminações na Copa de 2010 e a medalha de prata na Olimpíada de 2012, não se imaginava que a obra mais bem acabada seria, justamente, a seleção arquitetada por Felipão.Veja a seguir o que aconteceu desde que o Brasil foi escolhido como sede:
Candidato único - Em março de 2006, a candidatura brasileira ganhou corpo com o apoio da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Antes, Argentina e Colômbia estavam no páreo. O Brasil se tornou candidato único a realizar a Copa, por conta do rodízio de continentes. Era a vez de a América do Sul sediar.
A proposta para sediar a Copa tinha 18 candidatas a cidades-sede. Nas 900 páginas de informações, estavam as 11 garantias pedidas pela Fifa, com temas como segurança e a capacidade de receber turistas. Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, entregou o documento a Joseph Blatter, presidente da Fifa. (Leia mais sobre a candidatura)
Pan do Rio como exemplo - A escolha do Brasil foi oficializada depois da realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio. "Se nós estamos gastando isso no Rio de Janeiro para fazer o Pan, imaginem uma Copa do Mundo que vai utilizar, quem sabe, 12 estádios, oito, dez, sei lá quantos estádios", disse o então presidente Lula, em junho de 2007. "Imaginem o que nós vamos ter que construir de obras de infraestrutura, o que a iniciativa privada vai ter que construir de palcos para os eventos", acrescentou Lula (leia mais sobre o legado do Pan e como ele influencia a 'longa caminhada' até a Olímpiada no Rio, em 2016).
Broncas da Fifa - Desde que o Brasil foi escolhido como sede, a Fifa pressiona pelo andamento das obras. Em 2012, chegou a ameaçar “chutar o traseiro” do Brasil, expressão dita por Jérôme Valcke, secretário geral da entidade. “O Brasil está mais atrasado do que a preparação da África do Sul no mesmo período. Essa foi a primeira vez que um país teve sete anos para organizar o Mundial, mas existe atraso”, disse Joseph Blatter, presidente da Fifa, em janeiro deste ano.
Mas o mais incisivo foi Valcke. Ele chegou a afirmar que o Brasil precisava do tal "chute do traseiro" para acelerar os preparativos. “Lembro que me diziam: ‘como você pode duvidar do Brasil? Nós organizamos o carnaval do Rio todos os anos com três milhões de pessoas’. Mas no carnaval são pessoas do Rio, que têm seus apartamentos, estão na praia e ficam lá. As pessoas achavam que era fácil, mas organizar uma Copa é um trabalho de verdade. É uma responsabilidade real”, comparou (leia mais).
Trem-bala - Em junho de 2009, Dilma Rousseff afirmou que um trem-bala de Campinas ao Rio ficaria pronto para a Copa. “Nosso projeto é que esteja pronto em 2014 ou pelo menos o trecho entre Rio e São Paulo”, disse a então ministra da Casa Civil. Mas o projeto foi adiado diversas vezes e, atualmente, não há data marcada para a licitação (leia mais). Em maio, a presidente Dilma disse ter "orgulho das realizações". "A Copa se aproxima, tenho certeza de que nosso país fará a Copa das Copas. Não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos eternos pessimistas de sempre”, declarou Dilma (leia mais).
Protestos - Os protestos de junho de 2013começaram tendo um alvo principal: o aumento na passagem de ônibus, trem e metrô. Conforme as ruas foram sendo tomadas por multidões cada vez maiores, outros temas foram somados. Era fácil encontrar cartazes e gritos sobre violência urbana, a precariedade do serviço público e os custos da Copa (leia mais). No dia da final da Copa das Confederações, quando o Brasil venceu a Espanha por 3 a 0, cerca de 1.200 pessoas fizeram protestos no entorno do estádio do Maracanã (leia mais).
Mobilidade e aeroportos - Em levantamento feito pelo G1, 51,7% das obras de mobilidade urbana e aeroportos nas cidades-sede foram entregues. Dos 45 projetos inaugurados, 15 estão incompletos por causa de atrasos e cancelamentos. Das 74 obras de mobilidade e das 13 em aeroportos, 32 foram descartadas para a Copa e devem ficar prontas somente depois da competição. A inauguração de outras dez deve acontecer até esta quinta-feira (12) ou durante os jogos, segundo os gestores. Entre as justificativas apontadas para o atraso ou cancelamento dos projetos estão burocracia, imprevistos, disputas judiciais sobre desapropriações, modificação nos planejamentos iniciais e problemas com empresas contratadas, entre outros. De acordo com o Ministério das Cidades, desde 2007 o governo federal destinou R$ 143 bilhões para investimentos em mobilidade, sendo R$ 102 bilhões (71,3%) para obras nas cidades-sede. A responsabilidade da execução é dos governo estaduais e municipais. O ministério apontou como uma das dificuldades a fragilidade ou a falta de planejamentos (leia mais).
Oito mortos em obras - Oito operários morreram em acidentes de trabalho nos enormes canteiros de obras – número quatro vezes maior que nos trabalhos dos dez estádios da Copa de 2010, na África do Sul. A primeira dessas oito mortes ocorreu no Estádio Nacional de Brasília, em 11 de junho de 2012. A última delas foi na Arena Pantanal, em Cuiabá, em maio deste ano. Os estádios de São Paulo e Manaus foram os que registraram mais mortes: três em cada. Na Justiça, apenas o processo do primeiro acidente teve conclusão. Foi arquivado a pedido do próprio Ministério Público, que entendeu que o operário José Afonço Rodrigues foi imprudente e contribuiu para o acidente no Estádio Nacional. Assim, ninguém será responsabilizado criminalmente pela morte. A família foi indenizada pela empresa que José Afonço trabalhava. Nos demais casos, a Polícia Cilvil ainda investiga as causas e eventuais responsáveis pelas mortes nas obras dos estádios (leia mais).
Vai ter mascote, não vai ter caxirola - O mascote da Copa foi apresentado em outubro de 2012. Ganhou nome um mês depois. Foram 18 meses até o personagem ficar pronto. A criação foi feita nos computadores da agência paulistana 100% Design, por uma equipe de 15 pessoas. Outros dois nomes, Zuzeco e Amijubi, estavam na briga. Mas enquete no “Fantástico” fez com que o simpático tatu-bola fosse batizado como Fuleco
(leia mais sobre a escolha do nome). Criada por Carlinhos Brown para ser uma espécie de “vuvuzela” brasileira durante a Copa e comercializada pelo grupo norte-americano The Marketing Store, a caxirola ganhou apoio do governo brasileiro e é um dos produtos licenciados pela Fifa e oficiais do Mundial. A invenção do músico baiano entrou na lista de itens proibidos nos jogos da Copa. Em abril de 2013, a torcida do Bahia jogou caixirolas nos jogadores, durante clássico contra o rival Vitória, na Fonte Nova, em Salvador (leia mais).
Vai ter musa - Fernanda Lima se tornou musa da Copa, antes mesmo que o torneio começasse. A título extraoficial veio após ser escalada para apresentar eventos da Fifa. Ela deu o ar da graça no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, na escolha do Bola de Ouro e em congresso da entidade. Os vestidos, decotes e acessórios da apresentadora da Globo chamaram a atenção de quem foi aos eventos e de quem acompanhou pela internet e pela TV (leia mais).
Fonte:G1/COPADOMUNDO

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