sábado, 26 de julho de 2014

COBERTURA DAS ELEIÇÕES Procurador destaca papel da imprensa

O procurador regional eleitoral Rômulo Conrado encerrou, ontem, o ciclo de palestras organizado pelo Sistema Verdes Mares (SVM) voltado para o aperfeiçoamento na preparação dos profissionais que estão trabalhando na cobertura das eleições deste ano pelo Diário do Nordeste, Portal Verdes Mares, pelas televisões Verdes Mares e Diário e rádios AM e FM.

Rômulo Conrado apresentou um panorama histórico da atuação jornalística durante os períodos eleitorais para destacar a importância da responsabilidade na cobertura, que deve estar sempre preocupada com a apuração e investigação. "Num regime democrático é imprescindível que exista uma imprensa livre e consciente de seu papel nesse processo eleitoral. É indispensável que a sociedade seja bem informada e, para isso, é que existe a imprensa e esse deve ser o papel que ela deve exercer", ressaltou.

Durante a apresentação, o procurador eleitoral alertou para o tamanho da influência que a imprensa tem sobre a sociedade e destacou o poder que a atuação jornalística pode ter no julgamento popular, ampliando a preocupação com a preparação dos profissionais.

"Em se tratando do Tribunal do Júri, o jurado pode ser muito mais influenciado pela imprensa. É esse o diferencial. Muitas vezes, o julgamento popular se realiza através daquilo que é veiculado na imprensa. Então, nessa situação é que se fala que esse julgamento da imprensa é por vezes mais efetivo por ser mais rápido", pontuou.

Rômulo Conrado frisou também que o julgamento feito pela imprensa é bem mais ágil e eficaz que qualquer ação que tramita no Poder Judiciário. Ele lembrou que, no caso do ex-presidente Fernando Collor, a conclusão de alguns processos aconteceu somente no ano passado.

O procurador ainda orientou como a imprensa pode tratar de forma isenta a cobertura dos candidatos majoritários e proporcionais e classificou como "natural" a exposição daqueles com maior apelo popular. Rômulo apontou que a representatividade de cada postulante deve ser levada em conta para conseguir a imparcialidade.

"As empresas de comunicação devem direcionar a cobertura política segundo o grau de representatividade dos candidatos. É natural que aqueles com maior apelo popular sejam naturalmente mais expostos. Isso dentro do limite de razoabilidade e bom senso", esclareceu.

Quanto à preparação da Procuradoria Regional Eleitoral para o restante do pleito, o procurador Rômulo Conrado revelou que o órgão vai reconfigurar o funcionamento e a estruturação após o fim do Grupo de Atuação da Procuradoria Eleitoral (Gapel). "Questões institucionais internas levaram a essa extinção, mas tão logo seja superada essa fase do registro de candidatura, que tem prazos muito exíguos, a gente vai se voltar à questão de ilícitos eleitorais", assegurou.

Juiz e Sociólogo

Além do procurador, também participou do ciclo de seminários o coordenador do Juizado Auxiliar da Propaganda do Tribunal Regional Eleitoral(TRE), juiz Carlos Henrique Oliveira, que detalhou a legislação eleitoral. Já o analista de mídias sociais do Sistema Verdes Mares, Dennis Nunes, orientou como cada jornalista pode otimizar o uso das redes sociais durante a cobertura eleitoral.

Já na quarta-feira, o cientista político Clésio Arruda, professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), abordou a conjuntura política no Estado e no País. Ele afirmou que o processo político brasileiro ainda está numa fase de transição e explicou que esse período motiva um aumento na quantidade de eleitores que preferem anular o voto ou se abster do pleito.

"Muito do que a gente tem de pessoas que votam em branco é menos ideológico e muito mais apoiado numa descrença por esse discurso vazio, atrasado. A gente precisa de mais políticos que façam política de forma racional e menos emotiva. Até que não façamos uma política mais coerente e mais afinada com os desejos da sociedade, essa lógica vai afastar o eleitor que não tenha uma ideologia tão definida", explicou

Apesar de reconhecer que o tradicionalismo ainda está muito ligado à política, o professor Clésio Arruda acredita que essa tendência tende a desaparecer. "O Brasil amador, que faz as coisas a toque de caixa, tende a desaparecer. Por questões econômicas e pelo fato da gente ter sediado grandes eventos, há uma necessidade de haver mais profissionalismo e menos amadorismo. Acredito que é para onde nós devemos caminhar", avaliou o especialista.

Clésio Arruda reconhece, no entanto, que esse processo de transição é lento ao pontuar que, até mesmo no novo ciclo, ainda haverá resquícios da política tradicional. "Você não descola todo, porque a gente teria rupturas. Se nós olharmos hoje, temos propostas sérias, mas ainda temos também propostas fantasiosas", acrescentou.

FONTE:diáriodonordeste/POLÍTICA

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