quinta-feira, 3 de julho de 2014

Dunga e Caniggia aliviam Brasil e Argentina: “Ninguém opina no tênis”


Brasileiro entende choro de Thiago Silva e acredita que pressão sobre seleção de 1994 não pode ser igualada: “Nos pênaltis tinha gente escrevendo que iríamos perder”

caniggia e Dunga evento promocional (Foto: Agência Reuters)Um evento de uma das patrocinadoras da Copa do Mundo na tarde desta quinta-feira uniu Dunga e Caniggia. E os dois se uniram contra as críticas pesadas sobre Brasil e Argentina. Os ex-jogadores de suas seleções disseram entender o momento de dificuldade que ambas atravessam no Mundial. 

- Diga um time no Mundial que não está recebendo críticas. O futebol é o único esporte que qualquer um dá opinião, qualquer um entende. Ninguém opina no tênis. Cinco pessoas vão dar cinco opiniões diferentes. Mas é o treinador quem vê diariamente os jogadores. Você pode mudar uma coisa ou outra, mas está numa Copa, é difícil mexer tanto assim. E olha que a Argentina ganhou todos os jogos. Gostei sempre do 4-3-3, mas isso depende da características dos atletas. Jogando assim acho ótimo. Mas daí para o 4-4-2 depende das individualidades – opinou Caniggia, político quando o assunto chegou ao técnico Alejandro Sabella e suas preferências. Dunga, técnico da Seleção no Mundial da África do Sul e capitão na conquista do tetracampeonato em 1994, tratou de aliviar as cobranças em cima de Thiago Silva, o atual dono da braçadeira. O jogador do Paris Saint-Germain chorou antes da disputa de pênaltis contra o Chile, nas oitavas de final, e passou a semana ocupando as manchetes. 

- Cada um tem uma forma de reação, sua personalidade. A gente tem que ver pelo lado do ser humano. Apesar de ser um jogador, capitão da Seleção, é um ser humano que tem virtudes e defeitos como nós, sente a pressão como qualquer um. O mais importante é que o grupo saiba do seu potencial, entenda essa reação, a personalidade do Thiago. Não é só o capitão que tem que ser líder dentro da equipe, os demais jogadores também. E tem momentos que o capitão vai comandar a equipe, e outros que a equipe vai auxiliar o capitão. Somente quem está lá dentro pode auxiliar o capitão. São dois aspectos: um negativo e outro positivo. O negativo é que acham que o capitão não tem sentimento, não pode ser frágil; o bom é que ele é um ser humano como qualquer outro. Fred, criticado pelo aspecto técnico, também recebeu o apoio de Dunga.

- O Fred todo mundo conhece, foi artilheiro na Copa das Confederações. Não está tendo muita oportunidade de conclusão, depende muito de a bola chegar na área. É normal que tenha essa pressão, vai ser criticado, todos estão acostumados por ser o artilheiro. Vai ter a cobrança, vai voltar a ansiedade porque ele quer fazer gol, todos estão esperando isso dele. Acho que o Fred se cobra muito mais do que a imprensa. O gol vai sair no momento oportuno. 

Quando o tema foi pressão, no entanto, Dunga não hesitou e afirmou que nada pode se igualar ao peso de 1994, quando a Seleção deu fim a um jejum de 24 anos sem títulos da Copa. 

- Pressão que a minha geração teve em 1994 não vai ter nunca. Até a final da Copa algumas pessoas, na hora dos pênaltis, já estavam escrevendo que iria perder porque nunca havia ganhado nos pênaltis. Era pau o tempo todo. Acredito que essa seleção não tem pressão, e sim ansiedade do jogo, de jogar no Brasil, a ansiedade de mostrar para o torcedor a capacidade de cada um. Agora está somando porque na Copa das Confederações era outro tipo de jogo, campeonato, o Brasil conseguia fazer gol logo no início e controlar o rival. Agora está sendo diferente. Jogadores estão ansiosos para repetir as atuações de 2013, mas como sempre disse, é difícil. Começa o nervosismo, acelerar o jogo, erra o passe. Mas pelo menos nos jogos do Brasil, principalmente BH e São Paulo, o torcedor estava cantando o hino, aplaudindo a seleção – encerrou. 

Fonte:G1/COPADOMUNDO

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