quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NA ORIGEM: Muay thai na ótica de um cearense

O número de praticantes do esporte cresce em progressão geométrica, mas poucos conhecem a origem da modalidade.O muay thai é uma das artes marciais que mais ganham adeptos no Brasil, mas o privilégio de conhecer a origem da modalidade é de poucos. O cearense Anderson Dentão, praticante da arte oriental há 13 anos, é um dos atletas que tiveram essa honra. O faixa preta treinou por 40 dias na Tailândia, a fim de aprimorar o seu estilo de luta e trazer conhecimento para repassar aos alunos da academia Black Thai, onde ministra aulas diariamente.

Dentão conta que iniciou sua trajetória no muay thai para fugir da ociosidade da vida adolescente, mas que desde que começou a treinar e viver o esporte, tinha o sonho de conhecer as origens da arte. "Desde que comecei a treinar, eu tinha o sonho de ir à Tailândia. Eu não tinha condições, então fui treinando, me qualificando e fui campeão brasileiro de muay thai. Então, surgiu uma oportunidade da viagem", detalha o lutador.

Para o atleta, o intenso ritmo de treinos, chegando a dedicar oito horas diárias às atividades, foi o que mais chamou a atenção. "Eles valorizam muito o treino, o trabalho, as pessoas... Eles não têm hora para trabalhar. Eu, lá, iniciava o treino correndo 10km às 7h, depois treinava muay thai por mais 3h, descansava, e corria mais 5km", afirma Dentão, que nesse período ficou alojado em uma área de camping exclusiva para os lutadores.

Se adaptar ao ritmo dos tailandeses e à alimentação foram os pontos mais complicados no início, conta o cearense. "No começo, me adaptar ao ritmo de treino deles foi complicado, mas é algo que pretendo levar para o resto da vida e para meus alunos. A alimentação também foi complicada, pois a comida deles é muito apimentada e sem sal. Mas, nos últimos dias, eu já estava acostumado", diz o lutador que compete no pena pena.

Apesar de aceitar quaisquer lutadores que solicitem o período de treinamento, os mestres tailandeses só convocam às lutas atletas mais bem preparados. E Anderson Dentão foi um deles. Para finalizar o período no país asiático, o representante da Black Thai lutou contra um inglês radicado na Tailândia, e o nocauteou no 3º round. "Apesar de ser europeu, meu rival já estava adaptado ao modelo de muay thai praticado na Tailândia, pois ele mora lá há um ano, e foi uma luta super difícil. Venci com low kick (chute baixo). A maioria das minhas lutas venço com chute na coxa", salienta Dentão.

Diferenças

Segundo o lutador, o muay thai praticado no Brasil se assemelha mais ao estilo de luta holandês, onde o competidor busca combinar o boxe com chutes. Já o modelo tailandês usa muito o clinch, cotovelo e joelho. Essa diferença de estilo, para Dentão, pode ser posta de lado com a doação dos lutadores. "Se você for aguerrido, se sobressai lá. Eles gostam muito dos brasileiros, por exemplo, por terem o coração na ponta da luva", ressalta.

Dentão trata a experiência como um "divisor de águas" em sua vida. "Na viagem, aprendi a ser uma pessoa melhor. Agora valorizo mais a minha casa, minha vida, treinos...", exalta.

O atleta gostou tanto da viagem que já planeja conhecer outros dois grandes centros mundiais de muay thai: Holanda e China. "No próximo ano quero ir para a Holanda, pois o meu estilo de luta é o europeu. Também quero conhecer a China, de onde já recebi convites para lutar", finaliza o atleta cearense (colaborou Gustavo Linhares).


FONTE:A JOGADA/Muay thai

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