A administração estadual, para os dois, parece estar restrita às questões de Segurança, Saúde e Educação.Frutos da mesma raiz política, plantada para as eleições de 2006, quando o governador Cid Gomes (PROS) foi eleito para o seu primeiro mandato como filiado ao PSB, os dois candidatos que restaram na disputa pelo Governo do Estado do Ceará neste pleito, Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), precisam, neste segundo turno, deixar de lado a mesmice do discurso da primeira etapa da campanha e, sem esconderem o compromisso de continuarem com alguns projetos em execução, mostrarem as diferenças das suas postulações, e a nova gestão almejada por eles para impulsionar o desenvolvimento do Estado.
Não basta dizer que vai mudar a Segurança, construir escolas profissionalizantes de tempo integral, edificar mais hospitais e policlínicas, o que ambos fizeram, genericamente, até o último domingo. O eleitor precisa ouvir algo mais. Segurança, Educação e Saúde efetivas, é o desejo de todos, mais ainda do maior contingente populacional desta unidade da Federação, posto ser hipossuficiente. É preciso ser mais explícito nas promessas. O como e porquê fazer é fundamental esclarecer para não passarem a ideia de somente estarem proferindo discursos vazios.
Empregos
Construir escolas profissionalizantes em profusão só aplausos merecem. Garantir estágio remunerado aos jovens por elas formados, idem. Mas, e depois? Se não houver uma agressiva política de geração de empregos, competência de outra esfera do Governo, que não a da Secretaria de Educação, como os profissionais irão trabalhar no seu próprio Município ou em qualquer outra parte do Estado? Camilo e Eunício precisam dizer como pretendem facilitar a educação da nossa juventude, deixando-a fincada em seu torrão natal, com a família, empregada e ajudando a desenvolver aquele pedaço do Estado, se assim entender.
E mais, não são apenas nesses três significativos pontos da administração pública em que devem se fixar os discursos dos dois concorrentes. Serviços outros da competência do Estado, que também deixam muito a desejar, ficaram esquecidos no primeiro turno e precisam ser pontuados não só para o eleitor ter a sensação de que eles serão atacados, como, também, para que os candidatos demonstrem ter ciência das questões globais do Estado, e da importância de atacá-las com a mesma veemência prometida para os três temas básicos.
Ora, em outras oportunidades já nos reportamos ao fato de não terem explicitados os pretendentes a governador, propostas para temas como o saneamento básico, a distribuição de água tratada, a redução das desigualdades, estradas, dentre outros vários. A questão do acesso à Justiça, um tema muito caro ao amplo exercício da cidadania, até hoje passou ao largo do debate sucessório. Como é difícil o cearense comum defender um direito seu no Poder Judiciário, por uma série de razões, dentre elas a ineficiência da sua estrutura por falta de recursos financeiros e materiais, agravado pela deficiência de defensores públicos, únicos garantidores de os pobres clamarem por Justiça, no espaço competente.
O Ministério Público, outro importante setor de defesa da sociedade, também está esquecido no debate sucessório. Como se pensar um Estado justo, sem essa instituição fundamental bem estruturada, com abrangência em todo o território cearense? E a Polícia Judiciária que atenção terá do futuro governador? Não se tratou dela também, embora se saiba da existência de alguns milhares de homicídios não elucidados, consequentemente, sem inquéritos concluídos, por falta de material humano e estrutura física para a execução de um serviço muito necessário ao ataque à violência hoje reinante no Ceará.
Milícia
O governador Cid Gomes, no último domingo à noite, após encerrada a votação, fez uma afirmação muito séria que merece atenção especial da Justiça Eleitoral. Segundo o governador, uma parte dos integrantes da Polícia Militar do Estado, que chamou de milícia, atuou, no dia da eleição, em defesa do candidato Eunício Oliveira, sob o comando do vereador Capitão Wagner, eleito deputado estadual, no último dia 5. Pelas denúncias, policiais deixaram de cumprir o dever, no exercício da função, ou agiram indisciplinadamente, agredindo a ordem e os ditames legais.
Dito por qualquer outro político, a denúncia poderia até ser levada para o campo da suspeição, ou de ter sido proferida em face de interesse contrariado. Mas pelo governador, a afirmação tem um sentido bastante forte, merecedora de avaliação percuciente da parte dos integrantes da Justiça Eleitoral, responsável pela ordem e lisura do pleito.
Edison Silva
Editor de política
FONTE:Diáriodonordeste/POLÍTICA
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