A festa do Corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo nos conduz a uma reflexão acerca do amor que se entrega, pois é o próprio Jesus o Cordeiro que doa a própria vida, “Eis o Cordeiro de Deus, àquele que tira o pecado do mundo” são estas as palavras do sacerdote ao elevar o Corpo de Cristo, mas o que significa celebrar este ato sublime? Bem sabemos que em cada Santa Missa celebrada, atualizamos essa entrega amorosa de Cristo à humanidade, todavia, o rito celebrado deva ser uma motivação para o nosso cotidiano, não deva ficar somente nos altares das igrejas, mas na constituição de nossas vidas, não é a toa que no mesmo dia em que se celebra a Instituição da Eucaristia na semana santa, vemos num ato de total despojamento Jesus lavar os pés dos discípulos, ao que concluímos que a vida deva está intimamente ligada com este ato de amor e entrega de Jesus.
Outro elemento importante é entender que o que se faz, ou se celebra é feito “em memória” do próprio Cristo. Ora, fazer memória é trazer presente aquilo que até então não estava, tornar existente, fazendo-se entender que Jesus deseja permanecer com seu povo. Ele que se oferece, Ele que se entrega e ainda assim caminha conosco, eis uma verdade que o próprio Jesus anuncia, “Eu sou Caminho, Verdade e Vida”. Nesta Solenidade onde a Igreja reconhece a importância do Corpo de Cristo, façamos nossa a reflexão de um Deus que em tão sublime sacramento seja adorado nos altares e contemplado na vida de nossos irmãos e irmãs, sendo anunciado com nosso testemunho e manifestado no amor que Jesus nos ensina e continua nos pedindo, aprendamos que se a Sagrada Eucaristia é uma entrega de amor, que saibamos nós também amar e acolher ao próximo, e se comungamos e adoramos o santíssimo e diviníssimo sacramento, tornemos nossa adoração e aquilo que celebramos em uma prática daquilo que Jesus tanto nos ensina, afinal não teria sentido celebrar o Corpo de Cristo, se não queremos tornar Cristo presente em nosso cotidiano.
Em um mundo tão marcado pelo individualismo, a Eucaristia nos faz lembrar a comunhão que devemos viver com Cristo e por sua vez com a comunidade. Ele sendo a cabeça deseja que seu corpo que é a igreja possa estar em unidade. Com isso compreendemos a questão do seguimento, do compromisso por uma sociedade não mais dividida, mas peregrina contra a indiferença. Nossa vida é uma constante caminhada, a procissão que realizamos todos os anos é manifestação disso de uma trajetória que nos lembra da caminhada do povo de Deus, que no antigo testamento o povo peregrinava alimentado pelo maná, no deserto. Com a instituição da Eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo que por sua vez caminha conosco pelas veredas da existência humana.
Pároco de Hidrolândia
Padre Fábio Nascimento

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