– Cara, por que você parou bem? Você poderia continuar jogando!
A frase acima faria parte de um diálogo entre José Roberto da Silva Júnior, o Zé Roberto, com ele mesmo, diante do espelho, no início desta temporada. Campeão da Copa do Brasil pelo Palmeiras em dezembro do ano passado, o veterano pensou em voltar atrás no contrato de renovação assinado com o clube – que vai até o fim de 2016. Tomou coragem, deu sequência, e hoje é titular do Verdão, líder do Campeonato Brasileiro. Não ter dado chance à frustração é motivo de sorriso e, nas palavras do próprio atleta, diversão.
Zé Roberto se diverte ao lembrar que completou 42 anos há pouco mais de duas semanas e que ainda impressiona os profissionais que trabalham com ele. A dedicação é motivo de elogios de todos: dos jogadores mais jovens, a quem busca deixar um legado, até a diretoria. O veterano tomou as rédeas da própria carreira e fez um caminho inverso ao trilhado pela maioria dos companheiros de profissão – passou a crescer depois dos 30.
– Hoje eu estou aqui no Palmeiras e não sei quando vou parar. Completei 42 anos. Acho que minha carreira me deu o direito de decidir o que eu faço. Muitos acabam com as pessoas decidindo. Um contrato decide, o rendimento, uma lesão... Comigo, através da longevidade e da forma que me cuido, estou colhendo o que plantei. Tenho o direito de decidir se jogo mais um ou dois anos, se paro no fim do ano. Isso é o mais divertido. É algo muito legal – contou, em entrevista exclusiva ao GloboEsporte.com.
Dos 42 anos de idade, 22 foram dedicados ao futebol profissional. Uma história iniciada na Vila Ramos, bairro da zona leste de São Paulo, e com um protagonista que superou muitos obstáculos. Zé venceu uma infância difícil, o racismo e encontrou no futebol um refúgio.
Espelhado em Dener, ídolo da Portuguesa, onde começou sua carreira, construiu a própria trajetória até a realização do sonho maior: a seleção brasileira.
Em aproximadamente 40 minutos de conversa, Zé Roberto relembrou momentos marcantes da sua história, no aspecto pessoal e também no profissional. Das cobranças da família à frustração de não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 2002. Do aprendizado com Vanderlei Luxemburgo à admiração por Cuca.
E revelou: assim como canta a torcida do Palmeiras, para ele a Taça Libertadores da América também ainda é uma obsessão...
GloboEsporte.com: Zé, você chegou aos 42 anos jogando em alto nível, como titular do Palmeiras. Você projetava ir tão longe quando começou a jogar futebol?
Zé Roberto: Quando criança, meu maior sonho era me tornar um atleta profissional. Desde quando isso aconteceu, passei a projetar em busca dos meus sonhos. Comecei na base da Portuguesa, o próximo sonho seria me profissionalizar. Um dia vestir a camisa da seleção brasileira, jogar fora... Fui conquistando cada passo. Quando cheguei à Europa, aprendi muita coisa a respeito da minha carreira. Na Alemanha, eu entendi que o corpo era meu instrumento de trabalho. Ali comecei a cuidar dele. Boa alimentação, vida regrada, período adequado para dormir, treinar no outro dia. Quando entendi isso, sempre consegui jogar em alto nível. Trouxe uma coisa primordial naquela fase. Falei que queria jogar até quando meu corpo permitisse. As coisas aconteceram na minha vida ao contrário do que acontece na carreira de muitos jogadores. A partir dos 31 anos, minha carreira decolou, em vez de regredir.
Zé Roberto: Quando criança, meu maior sonho era me tornar um atleta profissional. Desde quando isso aconteceu, passei a projetar em busca dos meus sonhos. Comecei na base da Portuguesa, o próximo sonho seria me profissionalizar. Um dia vestir a camisa da seleção brasileira, jogar fora... Fui conquistando cada passo. Quando cheguei à Europa, aprendi muita coisa a respeito da minha carreira. Na Alemanha, eu entendi que o corpo era meu instrumento de trabalho. Ali comecei a cuidar dele. Boa alimentação, vida regrada, período adequado para dormir, treinar no outro dia. Quando entendi isso, sempre consegui jogar em alto nível. Trouxe uma coisa primordial naquela fase. Falei que queria jogar até quando meu corpo permitisse. As coisas aconteceram na minha vida ao contrário do que acontece na carreira de muitos jogadores. A partir dos 31 anos, minha carreira decolou, em vez de regredir.
Dá para dizer que você ganhou autonomia sobre a própria carreira, certo? A parte física passa longe de ser um problema.
Hoje eu estou aqui no Palmeiras e não sei quando vou parar. Completei 42 anos. Acho que minha carreira me deu o direito de decidir o que eu faço. Muitos acabam com as pessoas decidindo. Um contrato decide, o rendimento, uma lesão... Comigo, através da longevidade e da forma que me cuido, estou colhendo o que plantei. Tenho o direito de decidir se jogo mais um ou dois anos, se paro no fim do ano. Isso é o mais divertido. É algo muito legal.
Hoje eu estou aqui no Palmeiras e não sei quando vou parar. Completei 42 anos. Acho que minha carreira me deu o direito de decidir o que eu faço. Muitos acabam com as pessoas decidindo. Um contrato decide, o rendimento, uma lesão... Comigo, através da longevidade e da forma que me cuido, estou colhendo o que plantei. Tenho o direito de decidir se jogo mais um ou dois anos, se paro no fim do ano. Isso é o mais divertido. É algo muito legal.
O fato de você não sentir o peso da idade reabre sua decisão sobre a aposentadoria?
Fica martelando o tempo todo (risos). Eu me cobro muito. Por eu me conhecer, tenho certeza que, se tivesse parado no ano passado, quando conquistamos a Copa do Brasil, que foi algo que passou na minha cabeça, eu estaria me questionando todos os dias. Eu olharia no espelho e diria: “Cara, por que você parou bem? Você poderia continuar jogando!”. Tenho certeza de que fiz a escolha certa. Eu me sinto muito bem e tenho objetivos. Ainda tenho sonhos, ainda quero conquistar. Quando você tem isso vivo, o impulsiona. Quero manter minha regularidade, fazer uma grande temporada e conquistar um título no fim do ano.
Fica martelando o tempo todo (risos). Eu me cobro muito. Por eu me conhecer, tenho certeza que, se tivesse parado no ano passado, quando conquistamos a Copa do Brasil, que foi algo que passou na minha cabeça, eu estaria me questionando todos os dias. Eu olharia no espelho e diria: “Cara, por que você parou bem? Você poderia continuar jogando!”. Tenho certeza de que fiz a escolha certa. Eu me sinto muito bem e tenho objetivos. Ainda tenho sonhos, ainda quero conquistar. Quando você tem isso vivo, o impulsiona. Quero manter minha regularidade, fazer uma grande temporada e conquistar um título no fim do ano.
Tentar de novo conquistar a Taça Libertadores da América é algo que te motiva a adiar o fim da carreira?
É um objetivo, com certeza. A Libertadores é um título que ainda não tenho e gostaria muito de conquistar. Claro que temos o Brasileiro e a Copa do Brasil nesse ano, mas eu queria ter a Libertadores no meu currículo. Eu sempre me projetei antes de qualquer desafio. Temos de andar de acordo com os passos dados. O próximo passo é consolidar a classificação. Depois, planejar, ver qual decisão vou tomar. Estamos no caminho certo.
É um objetivo, com certeza. A Libertadores é um título que ainda não tenho e gostaria muito de conquistar. Claro que temos o Brasileiro e a Copa do Brasil nesse ano, mas eu queria ter a Libertadores no meu currículo. Eu sempre me projetei antes de qualquer desafio. Temos de andar de acordo com os passos dados. O próximo passo é consolidar a classificação. Depois, planejar, ver qual decisão vou tomar. Estamos no caminho certo.
Você vê algum empecilho que possa de atrapalhar na ideia de continuar jogando?
Algo que pode me dificultar é o calendário. Lá fora, eu estava acostumado a ter tempo para a minha família, a não jogar tantos jogos durante o ano como aqui. Ele suga muito de você. O calendário faz com que você tenha treinamentos diários, dois jogos durante a semana... Você viaja muito, concentra muito. Isso torna o desgaste muito grande.
Algo que pode me dificultar é o calendário. Lá fora, eu estava acostumado a ter tempo para a minha família, a não jogar tantos jogos durante o ano como aqui. Ele suga muito de você. O calendário faz com que você tenha treinamentos diários, dois jogos durante a semana... Você viaja muito, concentra muito. Isso torna o desgaste muito grande.
Sua família cobra?
Às vezes, sim, ainda mais no fim de semana, que é quando meus filhos estão livres, porque não tem de ir à escola. Eles me cobram um passeio, um almoço de família. O meu filho mais velho tem 16 anos, daqui um ano e meio se forma e quer fazer uma faculdade fora. Ele quer ir para a Alemanha ou para os Estados Unidos. Eu praticamente não convivi com ele por causa da minha profissão, dessa rotina em que você fica muito tempo fora de casa. Eu só tenho de agradecer a Deus por me permitir fazer o que mais gosto, que é jogar futebol, ter feito uma carreira de longevidade.
Às vezes, sim, ainda mais no fim de semana, que é quando meus filhos estão livres, porque não tem de ir à escola. Eles me cobram um passeio, um almoço de família. O meu filho mais velho tem 16 anos, daqui um ano e meio se forma e quer fazer uma faculdade fora. Ele quer ir para a Alemanha ou para os Estados Unidos. Eu praticamente não convivi com ele por causa da minha profissão, dessa rotina em que você fica muito tempo fora de casa. Eu só tenho de agradecer a Deus por me permitir fazer o que mais gosto, que é jogar futebol, ter feito uma carreira de longevidade.
Você procura passar seu legado para os mais jovens?
Essa ideia de que o corpo é o instrumento de trabalho de um jogador de futebol. A gente conversa bastante a respeito de planejamento de carreira. Hoje, no Brasil, é algo que falta um pouco. Isso leva o atleta a ficar focado somente no trabalho dele, as demais coisas ficam para pessoas específicas. Assim que aconteceu na minha carreira. Eu converso com os jovens do Palmeiras, já conversava no Santos, no Grêmio.
Essa ideia de que o corpo é o instrumento de trabalho de um jogador de futebol. A gente conversa bastante a respeito de planejamento de carreira. Hoje, no Brasil, é algo que falta um pouco. Isso leva o atleta a ficar focado somente no trabalho dele, as demais coisas ficam para pessoas específicas. Assim que aconteceu na minha carreira. Eu converso com os jovens do Palmeiras, já conversava no Santos, no Grêmio.
Quem é o jogador mais incrível com quem você conviveu durante a carreira?
São 22 anos de carreira profissional, e eu destacaria três. (pausa) Na verdade, quatro. Um eu vi muito pouco, não tive a oportunidade de conviver muito tempo, que foi o Dener. Ele estava na Portuguesa, eu era da base. Eu faltava da escola para ver ele treinar, quando o treino era no fim da tarde. Era um jogador no qual eu me espelhava. Infelizmente ele perdeu a vida precocemente, não vi muito tempo. O que eu vi marcou muito para mim. Eu diria também o Ronaldo Fenômeno, o Messi e o Zidane. Esses quatro foram os melhores que eu já vi.
São 22 anos de carreira profissional, e eu destacaria três. (pausa) Na verdade, quatro. Um eu vi muito pouco, não tive a oportunidade de conviver muito tempo, que foi o Dener. Ele estava na Portuguesa, eu era da base. Eu faltava da escola para ver ele treinar, quando o treino era no fim da tarde. Era um jogador no qual eu me espelhava. Infelizmente ele perdeu a vida precocemente, não vi muito tempo. O que eu vi marcou muito para mim. Eu diria também o Ronaldo Fenômeno, o Messi e o Zidane. Esses quatro foram os melhores que eu já vi.
E os melhores técnicos com quem você trabalhou?
Eu tive vários. Cada um com sua personalidade, sua filosofia. Eu poderia citar três também, que foram diferentes. Quando eu iniciei a minha carreira, fui treinado pelo Zagallo. No decorrer dela, tive a felicidade de trabalhar com o Vanderlei Luxemburgo, que é muito inteligente, me passou muitas coisas positivas. Aprendi muito com ele. E também um que trabalhou quatro ou cinco anos no Bayern de Munique, o Ottmar Hitzfeld.
Eu tive vários. Cada um com sua personalidade, sua filosofia. Eu poderia citar três também, que foram diferentes. Quando eu iniciei a minha carreira, fui treinado pelo Zagallo. No decorrer dela, tive a felicidade de trabalhar com o Vanderlei Luxemburgo, que é muito inteligente, me passou muitas coisas positivas. Aprendi muito com ele. E também um que trabalhou quatro ou cinco anos no Bayern de Munique, o Ottmar Hitzfeld.
FONTE:G1/PALMEIRAS

Nenhum comentário:
Postar um comentário