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- O meu tio me criou e fez papel de pai, ele é tio da minha mãe e esposo da minha tia. Minha mãe faleceu e eu fui morar com os meus tios, que são tios da minha mãe. Meu tio foi o que mais me apoiou dentro de casa para eu fazer esporte, me levava para treinar, me levou para a peneira... Quando eu não tinha dinheiro para comprar tênis, era ele quem dava um jeito. A família inteira sempre me ajudou muito, os irmãos da minha mãe e os meus tios. Vê-lo naquela situação foi difícil. Ele está acamado ainda... Eu vou participar de uma Olimpíada em casa e ele sem nem saber o que está acontecendo dói, mas eu vou fazer bonito para ele - acrescentou.
Descoberta em uma peneira de 80 meninas em Santo André (SP) por Janeth Arcain, a jogadora deixou para trás o futebol, o vôlei, a dança e o xadrez para se dedicar ao basquete. As quatro horas de trem diárias de Ferraz de Vasconcelos a Santo André e as dificuldades financeiras para comprar um par de tênis nunca desanimaram a pivô. E o esforço dos tios aposentados, que criaram ela e as irmãs (uma delas com paralisia cerebral), foi recompensado.
Aos 19, a paulista de Ferraz foi escolhida na 12ª posição do Draft da WNBA, pelo Minnesota Lynx, como a mais jovem do plantel de atletas aptas a entrar na liga americana. A franquia da cidade de Minneapolis era a atual campeã da WNBA, conquistando o título pela primeira vez em 2011. A equipe poderia escolher os destaques da NCAA, a forte liga universitária dos Estados Unidos, porém, apostou na brasileira. Esperou evoluir até tentar a sorte por lá. Na época, ela estava no Celta de Vigo, da Espanha, e voltou ao Brasil para disputar a Liga de Basquete Feminino (LBF). No ano seguinte, levantou a taça do torneio nacional pelo Americana (SP) e só depois estreou na WNBA. Tornou-se a menina dos olhos da técnica, Cheryl Reeves, e cresceu ao lado das atuais campeãs olímpicas Maya Moore, Lindsay Whalen e Seimone Augustus.
A vivência nos Estados Unidos e na Europa, assim como em clubes como Jundiaí (SP), Ourinhos (SP) e o Corinthians/Americana, time pelo qual defende, fizeram de Damiris uma das mais experientes da seleção, apesar da pouca idade. Um dos momentos marcantes da carreira foi o Mundial Sub-19 do Chile, em 2011. Com 188 pontos em nove jogos, uma média de 20,8 por partida, ela liderou o país na conquista do bronze e foi eleita a MPV (melhor jogadora) do torneio.
Hoje, ela vive uma grande fase e espera eternizar a sua geração na história com um pódio olímpico. Titular absoluta do Corinthians/Americana, ela foi uma das principais armas do alvinegro na campanha pelo vice-campeonato da LBF, mesmo tendo sofrido uma fratura por estresse na canela esquerda. Terminou como cestinha, com média de 19,7 pontos por partida, e foi a segunda atleta mais eficiente de todo o campeonato, com 19,1 de valorização por jogo.
Os resultados abaixo do esperado do Brasil nos últimos anos serviram de aprendizado. Na Rio 2016, Damiris não pensa em outra coisa a não ser a medalha, não importa a cor. Segundo a jogadora, o coletivo será o diferencial em busca de um bom resultado na Olimpíada.
- O pódio é algo muito possível. Eu quero medalha, se for de ouro, prata ou bronze, não sei, mas eu quero uma medalha. Eu vejo como algo muito possível e este é um grupo que está acreditando muito nisso. O grupo todo está confiante. Temos um psicólogo que trabalhou esse lado emocional, e o trabalho tem sido muito positivo. O clima com a comissão, o hotel, os treinamentos... É uma cobrando a outra, uma aceitando ouvir da outra, não tem “mimimi”, nada disso, todo mundo querendo a mesma coisa. Acho que vai dar tudo certo. A gente não tem aquela jogadora que é “a estrela”, que faz 40 pontos em todo jogo, então, o nosso coletivo é muito forte. E agora chegaram a Érika e a Clarissa, que ajudam muito. Só a presença da Érika já assusta. É o coletivo vai fazer história na Olimpíada - vislumbrou.
Além de projetar o pódio, ela vê o time comandado por Barbosa com chances reais de derrotar a poderosa seleção da Austrália na estreia dos Jogos, no dia 6 de agosto. Nesta quarta-feira, o Brasil terá um teste importante em um amistoso contra o Japão, às 20h (de Brasília). Em seguida, na sexta-feira, enfrenta novamente as japonesas, no mesmo horário.
- Sabemos que não vai ter jogo fácil. É Olimpíada. Sabemos do potencial da Austrália e estamos estudando todos da nossa chave. Não vai ser moleza estrear em casa contra uma Austrália completa. É desde já estar focado nos adversários, e eu já quero saber quem eu vou marcar e o que ela faz. As pessoas falam: “Ohhh, Austrália”. Parece um bicho de sete cabeças, mas é só a gente entrar e jogar o nosso basquete. Estou muito confiante. Vamos jogar em casa, teremos todo o Brasil torcendo a todo momento, mas sempre tem aquela pressãozinha e temos de saber lidar com isso. Mas a minha maior motivação é estar em casa, com o Brasil sendo o sexto jogador. A gente tem a responsabilidade, mas tem também tranquilidade e segurança. Me vejo mais madura e mais centrada. A ida para a WNBA ajudou bastante, pois os jogos lá são lotados e eu consigo me concentrar melhor.
Em agosto, a seleção terá pela frente a Sérvia (2) e a China (3) em amistosos fechados ao público. O Brasil está no grupo A da Olimpíada, ao lado de Austrália, medalhista de bronze em Londres 2012, Japão, campeão asiático, Belarus, Turquia e França, atual vice olímpica.
FONTE:G1/BASQUETE FEMININO RIO 2016

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