quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Fim do sonho: Brasil tem noite ruim, cai para a China e dá adeus à Rio 2016

Quando a pancada de Sheilla bateu na rede e voltou, algo se mostrou fora do lugar. A casa estava cheia, a festa estava montada, mas tudo desabou em pouco mais de duas horas. Como numa ironia escrita às pressas, o roteiro montado há tempos foi jogado no lixo. Nas previsões, poucas medalhas pareciam tão certas. Pareciam. Em uma noite para ser esquecida, o Brasil lutou até o fim, mas caiu para a China em 3 sets a 2, parciais 15/25, 25/23, 25/22, 22/25 e 15/13, e deu adeus ao sonho do tricampeonato olímpico nos Jogos do Rio. O choro em quadra foi inevitável.
Na fase de classificação, a China passou em quarto lugar no grupo B. O Brasil, que sequer havia perdido um set na competição, havia avançado em primeiro. Embalada, a China vai encarar a Holanda, nesta quinta-feira, para definir uma das finalistas.
A queda nas quartas de final transforma, nos números, a participação brasileira na pior desde os Jogos de Seul, em 1988, quando terminou em sexto lugar. Desde então, a equipe sempre havia avançado ao menos às semifinais, conquistando o ouro em Pequim 2008 e Londres 2012, além do bronze em Atlanta 1996 e Sydney 2000. Apesar do status de favorito ao ouro, o Brasil não conseguiu conter a força de Ting Zhu, que terminou a partida com incríveis 28 pontos. Do lado brasileiro, Fernanda Garay, com 24 pontos, Sheilla, com 18, e Natália, com 20, foram os principais destaques.
- A gente fez um primeiro set excepcional, com poucos erros e o saque entrando bem. No segundo set, a China mudou a recepção e começou a equilibrar mais as ações e começou a virar bolas com mais facilidade. Foi quando começamos a sofrer no nosso sistema defensivo. Foi a tônica do segundo e do terceiro set. A gente não estava encontrando o passe. A gente não estava usando o meio, que é um ponto de apoio muito grande nosso. Com o embalo da torcida, a gente conseguiu ganhar o quarto set. No quinto, alguns detalhes, como sempre é o tie-break. A China, em um contexto geral do jogo, foi melhor do que o Brasil. A gente lutou do começo ao fim, tentou do começo ao fim, a gente só tem de agradecer as jogadoras pelo empenho do começo ao fim - afirmou Zé Roberto.
Gabriela, Brasil X Japão Vôlei (Foto: André Durão / Globoesporte.com / Nopp)Meninas do Brasil incrédulas em quadra (Foto: André Durão / Globoesporte.com / Nopp)

O JOGO
Ting Zhu encheu o braço, e as chinesas começaram a correr em círculos, como costumam fazer para comemorar cada ponto. O Brasil não começou a contagem, mas não demorou a pular à frente no placar. Quando Sheilla subiu e fechou a rede em frente ao ataque rival, a seleção abriu 4/1. Na defesa, as asiáticas pareciam se multiplicar e dificultavam a definição do ponto. No ataque, porém, faltava calibrar a mão. Elas erravam – e muito –, facilitando a vida das donas da casa. Em uma largadinha de Sheilla, o placar marcou 7/2, e a técnica Lang Ping parou o jogo.
O Brasil mostrava força no ataque e muita consistência na defesa. Não havia bola perdida. Natália, por exemplo, se lançou de longe para salvar jogada que terminou em ponto brasileiro. A vantagem aumentava em ritmo rápido. Na pancada de Fabiana pelo meio, o Brasil já tinha 11/5. A China tentava responder com Ting Zhu, principal jogadora do outro lado, mas faltava fôlego para a reação.
Fê Garay apareceu duas vezes em sequência e fez a vantagem chegar a 19/9. A China tentava. Passou a explorar mais jogadas pelas pontas, na tentativa de vencer o bloqueio brasileiro. Não teve muito jeito. A seleção ainda desperdiçou alguns ataques, deu bobeira em algumas bolas, mas nada grave. O ponto final veio com Thaísa, em uma pancada pelo meio: 25/15.A China quis endurecer o jogo. Após parar Fernanda Garay com um bloqueio pela ponta, abriu 3 a 1. A virada não demorou a chegar. Garay deu o troco e fez a seleção chegar a 9/4 com facilidade. Do lado de lá, Ting Zhu se esforçava. Na marra, conseguiu fazer com que a diferença caísse para apenas três pontos. O Brasil também não ajudava. Depois de alguns erros em sequência, a seleção permitiu que as rivais deixassem tudo igual: 11 a 11.
Brasil X China Vôlei (Foto: Agência EFE)
Zé Roberto parou o jogo e tentou arrumar a casa. Em um primeiro momento, deu certo. No ace de Natália, a seleção chegou a 14/11. A China, porém, voltou a buscar e deixou tudo igual com Yunli Xu. Pela primeira vez, as rivais tomaram a dianteira em ace de Changning Zhang. O Brasil acordou e abriu 21/18, mas lá foram as chinesas buscar mais uma vez. À beira da quadra, Zé Roberto praticamente implorava: “Vamos virar, vamos virar”. Mas, pela primeira vez, a seleção sentiu o gosto de ser derrotada em uma parcial. Ting Zhu deixou tudo igual em bloqueio certeiro: 25/23.

Confira os outros resultados do dia:
Holanda 3 x 1 Coreia do Sul (25/19, 25/14, 23/25 e 25/20)
Estados Unidos 3 x 0 Japão (25/16, 25/23 e 25/22)
Sérvia 3 x 0 Rússia (25/9, 25/22, 25/21)
Fonte:G1/VÔLEI OLÍMPIADAS RIO 2016

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