- Realmente, não se ganha uma Olimpíada
saindo de casa, entrando nela e conquistando uma vaga. No ano de 2014,
compramos um terreno. Em 2015, subimos uma casa e, em 2016, pintamos
ela. A classificação foi muito forte, com grandes times, tive de parar
para operar o joelho. Quando ia voltar, tive apendicite. Tivemos quatro
resultados ruins. Mas em nenhum momento, o Bruno parou de acreditar no
Alison, e o Alison deixou de crer no Bruno. No Campeonato Mundial,
passamos por várias fases, encontramos os melhores do time do mundo,
batemos recordes, fomos o melhor time do mundo e nunca, nunca deixamos
de acreditar. Se vocês forem recapitular o campeonato, no primeiro jogo,
começamos atrás, ganhamos de 2 a 0. No segundo, perdemos, mesmo nunca
duvidando um do outro. No terceiro, torci o meu pé, mas tive que me
desdobrar para jogar. E quando saiu a chave no sorteio, só vieram times
fortes. É trabalho, é sempre acreditar um no outro, essa é a
característica do nosso time - completou depois na entrevista coletiva.
Alison beija o pódio antes de receber medalha ao lado do companheiro Bruno Schmidt (Foto: Carlos Barria/REUTERS)
-
Não é fácil permanecer nesse esporte. Para mim, como um jogador
relativamente baixo, foi complicado. Cada dia foi uma luta e, às vezes,
essa luta é cansativa demais. Eu olhava para o meu pai e comentava com
ele: “Pai, não estou perdendo tempo não? Meus amigos estão formados, eu
estou insistindo em uma coisa onde não sou bem-vindo”. E ele não me
deixou parar, não me deixou não acreditar. Ele sempre acreditou mais em
mim do que eu mesmo. Sempre foi muita dificuldade e nada veio fácil para
mim. Ele sempre falou isso para mim. Essa Olimpíada foi exemplo disso.
Perdemos um jogo na chave e eu realmente fiquei muito triste, não falei
para ninguém, só me abri para minha família, fiquei muito triste, meu
psicológico ficou abalado, mas ele falou: “Você vai chegar lá, você vai
ser campeão”. Minha vida inteira foi assim, meu pai nunca me deixando
perder tempo ou desistir do meu sonho.
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Confira outros trechos da entrevista coletiva de Alison e Bruno Schmidt:
Reação de Bruno sem demonstrar sentimentos, e Mágico sem dormir:
-
O Bruno vai implodir uma hora. Ele não demonstra os seus sentimentos, e
eu sei que ele está sem dormir há uns 15 dias. Eu sei disso porque
dividimos o quarto. Às vezes, eu escutava um barulho e sabia que era ele
andando, indo conversar com nosso técnico no quarto dele. E olha que eu
durmo bem, gosto muito de dormir mesmo. Mas tem sido uma experiência
maravilhosa nos últimos quatro anos. Eu chorei lá em Londres por me
tornar um medalhista olímpico. Hoje eu chorei por ser medalhista de
novo, entrei pra um grupo seleto, e o Bruno estreou com pé direito. Eu
acho que é isso, o Alison aprendeu com o Bruno, o Bruno aprendeu com o
Alison, e acho que hoje ele vai dormir direito.
Referência para os mais jovens:
-
Eu acredito que o futuro do nosso país esteja nas crianças, nunca
escondi de ninguém e ser referência para elas é incrível. Eu tive
referências. Acordava cedo para ver Ayrton Senna, Marcelo Negrão,
Shelda, Emanuel, entre outros. Meu pai foi uma grande referência. É uma
responsabilidade muito grande pra gente e sabemos disso. Temos que
continuar fazendo o que fazemos todos os dias, acordar, se alimentar
bem, treinar e fazer nosso melhor. E eu acho que o Bruno provou pro
mundo que tamanho não é documento. Na verdade, ele mostrou que, apesar
de ser um atleta baixo, tem tudo que precisa para ser um medalhista
olímpico e provou que se você trabalha honestamente e crê nos seus
sonhos, tudo pode acontecer.
A TRAJETÓRIA DE BRUNO/ALISON até a final
Alison e Bruno estrearam nos Jogos Olímpicos em jogo válido
pelo Grupo A contra os canadenses Josh Binstock e Sam Schachter. Lidaram com o
forte vento e quebraram o gelo da estreia para vencer por 2 a 0 (21/19 e
22/20). O segundo jogo foi o pior dos brasileiros e marcou a única derrota da
parceria na campanha. Usando uma tática de sacar somente em Schmidt, Doppler e
Horst, da Áustria, venceram por 2 a 1, parciais de 21/23, 21/16 e 13/15. A
terceira partida da primeira fase foi contra Alex Ranghieri e Adrian Carambula.
O Brasil não caiu na provocação do segundo, que apontou para genitália e se
virou na direção do público, e ainda superou uma lesão do Mamute para vencer
por 2 a 0 (21/19 e 21/16).
Alison e Bruno Schmidt se abraçam no topo do pódio (Foto: Carlos Barria/REUTERS)
Na fase de mata-mata, duelo contra os espanhois Herrera e
Gavira nas oitavas de final. Alison voou, fez 31 pontos, e os brasileiros
marcaram 2 a 0 (24/22 e 21/13). Nas quartas, uma “final antecipada” no embate
diante do campeão olímpico Phil Dalhausser (Pequim 2008) e seu parceiro Nick
Lucena, dos Estados Unidos. Vitória do Brasil por 2 a 1 (21/14, 12/21 e 15/9). Na
semi, um dos melhores jogos de todo o campeonato. Os dois atletas do Brasil
jogaram fácil, sofreram com uma reação rival no segundo set, puxada pelo gigante
Meeuwsen, de 2,07m, mas ganharam por 2 a 1 (21/17, 21/23 e 16/14).
+ Em batalha de gigantes, holandeses vencem russos e ficam com o bronzeFonte:G1/VÔLEI DE PRAIA OLÍMPIADAS RIO 2016

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