segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Com recorde de 8,40m e ouro no Rio, alemão mira Mundial e Tóquio 2020


No Mundial de Doha, no ano passado, Markus Rehm rompeu as barreiras entre o esporte olímpico e paralímpico. O salto de 8,40m lhe rendeu o título e o recorde mundial, e seria medalha ouro nas Olimpíadas de Londres 2012, Pequim 2008 e Rio 2016. Na primeira Paralimpíada na América do Sul, o alemão buscava o maior salto da história do atletismo, superando a marca de 8,95m do americano Mike Powell, de 1991. Amputado da perna direita, Rehm saltou 8,21m no Rio. Longe do desejado, porém, saiu como campeão, muito superior aos rivais pela classe T44. O holandês Ronald Hertog (7,29m) ficou com a prata, e o também alemão Felix Streng (7,13m) levou o bronze.

- Estou muito, muito, feliz. Para ser honesto, as três primeiras tentativas foram um lixo. Depois, eu encontrei o meu ritmo na competição até os 8,21m. É um bom resultado, e eu estou feliz por isto. Fui melhorando de pouquinho em pouquinho, mas não queria ter começado tão devagar (o seu primeiro salto foi de 7,13m), mas tudo bem. Você precisa encontrar o seu ritmo na competição, e eu o encontrei no fim - disse o alemão, que alcançou a sua melhor marca no último salto.Estrela do salto em distância, Markus Rehm pediu permissão para disputar a Olimpíada, como fez o sul-africano biamputado Oscar Pistorius em Londres, contudo, teve o pedido negado pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). O alemão luta para provar que a sua prótese não lhe traz vantagem sobre os demais competidores, mas a discussão é ampla. Para saltar, ele usa uma maior do que a de treinar, e diz estar aberto a fazer ajustes de tamanho, caso necessário. 

- Até agora, eu me concentrei nesta competição aqui no Rio e eu quero comemorar, mas, na semana que vem, eu já vou pensar em qual será o próximo passo. Vou me reunir com a IAAF e tentar encontrar uma solução para os Mundiais dos próximos anos - revelou o saltador. 

Alguns defendem que o impulso de um amputado na hora do pulo é mais potente do que um atleta sem próteses, mas os estudos científicos sobre o tema não foram conclusivos. O saltador diz querer apenas aproximar olímpicos e paralímpicos. 

- Para mim, isto não tem a ver com medalhas. Eu ganho medalhas em casa, ganho medalhas em Jogos Paralímpicos, mas seria maravilhoso poder competir contra atletas sem deficiência. 

Isto seria incrível (competir no Mundial de 2017 para atletas sem deficiência), muito maravilhoso. Eu só quero mostrar a todos os espectadores, todo o público, todo o mundo, que os atletas paralímpicos não precisam se esconder atrás dos atletas olímpicos. Nós também somos bons no esporte, conquistamos bons resultados, e não sou apenas eu, há muitos outros. É exatamente que eu quero mostrar e seria muito bom competir, mesmo se eu estiver fora do ranking" 

Markus Rehm

Há quatro anos, Pistorius penou, mas fez ajustes nas próteses e conseguiu a liberação para disputar os Jogos Olímpicos de Londres, chegando à semifinal dos 400m. Em fevereiro deste ano, Markus Rehm competiu no atletismo tradicional no Grand Prix de Glasgow, na Escócia, e conquistou a medalha de ouro, com o salto de 8,10m. 

O atleta, que perdeu a perna em um acidente de wakeboard quando tinha 13 anos, e tem o esporte como um de seus passatempos preferidos. Em 2005, Rehm ficou em segundo lugar no Campeonato Alemão da modalidade pela categoria júnior, mas optou por fazer a sua carreira nas pistas. Em 2014, na Alemanha, o Blade Runner tornou-se o primeiro atleta com deficiência a alcançar a final em um evento do atletismo tradicional, com a marca de 8,24m no salto. O alemão de 28 anos tem sempre um objetivo em mente, e frisa que o sonho precisa ser real. 

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 estão nos planos de Markus Rehm. Antes disso, no ano que vem, ele espera espera competir no Mundial de Atletismo em Londres, para competidores sem deficiência, usando a disputa como vitrine para o esporte paralímpico. 

- Isto seria incrível, muito maravilhoso. Eu só quero mostrar a todos os espectadores, todo o público, todo o mundo, que os atletas paralímpicos não precisam se esconder atrás dos atletas olímpicos. Nós também somos bons no esporte, conquistamos bons resultados, e não sou apenas eu, há muitos outros. É exatamente que eu quero mostrar e seria muito bom competir, mesmo se eu estiver fora do ranking.

Descrição da imagem: Pódio do salto em distância T44 da Paralimpíada do Rio, com o campeão Markus Rehm, entre Ronald Hertog (prata) e Felix Streng (bronze) (Foto: REUTERS/Jason Cairnduff )

FONTE:G1/PARALIMPÍADAS RIO 2016

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