- Foi um baita de um jogo, momentos difíceis para mim e para ele. Nesse circuito, até chegar à essa Olimpíada, eu perdi muito jogo que eu tinha a chance de ganhar. Perdi muito ponto no ranking por vitórias que deixei escapar. No aberto do Chile, ano passado, joguei com francês e estava 10-5. Ele virou e se eu ganhasse eu tava classificado para a Olimpíada. Tive que jogar outro torneio para me classificar. Quando chegou aos 10-5 eu pensei, "você aprendeu naquele jogo pra não perder aqui de novo". Quando estava 10-9 é claro que eu fiquei nervoso. Mas eu falei "eu não vou perder". Aquela derrota serviu para isso - disse Israel, cujos movimentos dos membros são comprometidos por complicações no parto. A final será nesta segunda-feira, às 10h45, e o adversário um conhecido do brasileiro: o britânico e número 1 do mundo, Will Bayley, que superou o espanhol Jordi Garcia por 3 a 1. Israel venceu Bayley na estreia da Paralimpíada, na fase de grupos. A partir dali o número 12 do ranking foi eliminando os melhores do mundo, dentre eles o ucraniano Maxym Nokolenko, vice-líder do ranking, nas quartas de final. Vitórias que lhe deram confiança no torneio.
- Eu cheguei aqui cumprindo todas as etapas do processo, o que me deu confiança. Quando eu estreei vencendo o número um do mundo falei "não, tenho chance de ganhar". Dei uma tropeçada no grupo, perdi para o chinês, décimo do mundo, depois as duas vitórias seguintes contra o terceiro e o segundo, e agora o chinês quinto do mundo. Foram vitórias que me credenciaram. Ainda não tenho a noção e nem procuro pensar muito nisso. As coisas estão indo bem quando a gente vai levando como um jogo de tênis de mesa. Procuro ser o mais simples possível. você raramente vai olhando pra torcida na hora do jogo, embora ela seja importante. Acho que essa é uma das minhas armas. Tentar esquecer toda essa dimensão, embora às vezes eu não consiga.
Daqui para a final, Israel vai tentar se afastar da internet para conter a euforia.
- Vou tentar não olhar muita rede social, nem Whatsapp. Ler um livro, dar uma desfocada. Mas sei que daqui a meia hora eu não vou resistir. Vou botar no Google e ver o que vocês (jornalistas) vão escrever - disse Israel, que também é jornalista.
Outras brasileiras disputaram semifinais de suas classes. Danielle Rauen não resistiu à chinesa e primeira do ranking Lina Lei e perdeu por 3 sets a 0. Bruna Alexandre fez jogo duro com a tricampeã paralímpica Natalia Partyka, da Polônia, mas perdeu por 3 sets a 2.
FONTE:G1/PARALIMPÍADAS RIO 2016

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