segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Opinião: clima de terror deixa marcas mais profundas que a queda da Ponte

O domingo 25 de novembro de 2017 ficará marcado pelo dia em que a Ponte Preta caiu em campo para a Série B e se rebaixou também fora dele. O dia em que o clube fechou uma trajetória fadada ao fracasso de forma melancólica. As cenas lamentáveis que tomaram conta do Moisés Lucarelli após o terceiro gol do Vitória, aos 36 minutos do segundo tempo, deixam marcas mais profundas que a queda em si - principalmente para quem estava lá.

Frequento estádios desde que me conheço por gente. Já presenciei muitas confusões, momentos tensos, brigas, mas nada comparado ao que vi desta vez. Não apenas pelo confronto entre torcida e Polícia Militar - infelizmente algo corriqueiro. Não apenas por ver crianças chorando e assustadas com os tiros de bala de borracha e as bombas de efeito moral.


Torcedores da Ponte Preta invadem campo e jogadores correm para o vestiário

Era um clima de terror generalizado. Impossível não se colocar no lugar daquele pai que tenta proteger o filho em meio ao tumulto e ainda assim é chutado por policiais (veja abaixo). Impossível não se impressionar com os jogadores correndo em disparada para o vestiário para se proteger da invasão de campo.


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Pai tenta proteger filho e é agredido por policial

Um cenário completamente diferente daquele visto horas antes na recepção do ônibus, com uma linda festa da torcida. Festa que continuou durante o começo do jogo, com um início alucinante da Ponte, que fez dois gols em 15 minutos. Parecia que seria o dia para provar a força da torcida alvinegra. E foi. Mas com o lado mais perverso dessa força.

Sobre o jogo e a atitude irresponsável de Rodrigo, falamos em outra matéria: CLIQUE AQUI!

Como qualquer assunto, generalizar não é o caminho. Seria injusto com a grande maioria dos pontepretanos presentes (mais de 12 mil) dizer que a torcida manchou ainda mais uma campanha marcada por equívocos dentro das quatro linhas e também nos corredores do Majestoso.

Era uma tragédia anunciada. Não falo somente da queda para a Série B. Mas também da explosão de revolta e indignação da massa. Os últimos tropeços em casa, principalmente contra o Grêmio, já indicavam que a paciência da torcida estava no limite.

A tensão estava no ar devido à importância do duelo. Era tudo ou nada. Um policiamento reforçado desta vez evitou uma tragédia no Majestoso.Faltavam pelo menos mais dez minutos para a Ponte tentar impedir a derrota por 3 a 2 para o Vitória. O tempo era curto e provavelmente, com um a menos, fosse insuficiente para mudar uma situação que foi sendo construída por meses. Um tempo que, para quem estava ali, será infinitamente maior para apagar da memória os momentos de tensão.

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A invasão de campo e tudo que se sucedeu a ela vão refletir diretamente no futuro da Ponte. O Majestoso deve ser interditado, e o time deve perder muitos mandos para a próxima Série B.

Mas como dissemos no início do texto: o clima de terror vai deixar marcas mais profundas que a queda da Ponte. Pode traumatizar muita gente e fazer as mesmas pensarem duas vezes em frequentar o Majestoso com suas famílias. Talvez aí esteja o principal prejuízo - ainda invisível diante de outros problemas mais imediatos a se resolver dentro do clube, e da sociedade como um todo.

FONTE:G1/CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE A 2017

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