Frequento estádios desde que me conheço por gente. Já presenciei muitas confusões, momentos tensos, brigas, mas nada comparado ao que vi desta vez. Não apenas pelo confronto entre torcida e Polícia Militar - infelizmente algo corriqueiro. Não apenas por ver crianças chorando e assustadas com os tiros de bala de borracha e as bombas de efeito moral.

Torcedores da Ponte Preta invadem campo e jogadores correm para o vestiário
Era um clima de terror generalizado. Impossível não se colocar no lugar daquele pai que tenta proteger o filho em meio ao tumulto e ainda assim é chutado por policiais (veja abaixo). Impossível não se impressionar com os jogadores correndo em disparada para o vestiário para se proteger da invasão de campo.

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Pai tenta proteger filho e é agredido por policial
Um cenário completamente diferente daquele visto horas antes na recepção do ônibus, com uma linda festa da torcida. Festa que continuou durante o começo do jogo, com um início alucinante da Ponte, que fez dois gols em 15 minutos. Parecia que seria o dia para provar a força da torcida alvinegra. E foi. Mas com o lado mais perverso dessa força.
Sobre o jogo e a atitude irresponsável de Rodrigo, falamos em outra matéria: CLIQUE AQUI!
Como qualquer assunto, generalizar não é o caminho. Seria injusto com a grande maioria dos pontepretanos presentes (mais de 12 mil) dizer que a torcida manchou ainda mais uma campanha marcada por equívocos dentro das quatro linhas e também nos corredores do Majestoso.
Era uma tragédia anunciada. Não falo somente da queda para a Série B. Mas também da explosão de revolta e indignação da massa. Os últimos tropeços em casa, principalmente contra o Grêmio, já indicavam que a paciência da torcida estava no limite.
A tensão estava no ar devido à importância do duelo. Era tudo ou nada. Um policiamento reforçado desta vez evitou uma tragédia no Majestoso.Faltavam pelo menos mais dez minutos para a Ponte tentar impedir a derrota por 3 a 2 para o Vitória. O tempo era curto e provavelmente, com um a menos, fosse insuficiente para mudar uma situação que foi sendo construída por meses. Um tempo que, para quem estava ali, será infinitamente maior para apagar da memória os momentos de tensão.
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A invasão de campo e tudo que se sucedeu a ela vão refletir diretamente no futuro da Ponte. O Majestoso deve ser interditado, e o time deve perder muitos mandos para a próxima Série B.
Mas como dissemos no início do texto: o clima de terror vai deixar marcas mais profundas que a queda da Ponte. Pode traumatizar muita gente e fazer as mesmas pensarem duas vezes em frequentar o Majestoso com suas famílias. Talvez aí esteja o principal prejuízo - ainda invisível diante de outros problemas mais imediatos a se resolver dentro do clube, e da sociedade como um todo.
FONTE:G1/CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE A 2017

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