quinta-feira, 4 de julho de 2019

Motorista de aplicativo é condenado por estuprar e roubar passageira no Ceará

O ex-motorista de aplicativo Patrick Carneiro do Nascimento foi condenado a 14 anos e 4 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado, pelos crimes de estupro e roubo, por decisão da 3ª Vara Criminal da Justiça Estadual do Ceará. Ele foi preso em agosto de 2018, por suspeita de cometer crimes sexuais contra várias mulheres em Fortaleza.
Motorista de aplicativo é acusado de estuprar passageiras — Foto: Reprodução
A sentença, que também decretou a prisão preventiva do acusado, foi proferida em 6 de maio, mas não foi divulgada porque o processo está sob sigilo de Justiça. A defesa - que não foi localizada pela reportagem - recorreu da condenação, mas o recurso ainda não foi julgado, conforme informações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

Uma vítima do motorista ouvida pelo G1 teve a vida social modificada após a corrida com o acusado. "É muito complicado para mim andar só, não consigo confiar em mais nenhum motorista. Para o trabalho, consigo ir de transporte público. Mas para sair à noite, eu não pego mais aplicativo. Eu fico dentro de casa porque não saio, não vejo mais minhas amigas", revela.

A mulher pede para não falar sobre o dia do estupro. "Eu tenho que ter acompanhamento (psicológico), mas nunca tive como continuar, por problema financeiro e falta de tempo", lamenta.

Crimes em série

A reportagem apurou que Patrick responde a mais quatro ações penais no TJCE, que tramitam na 7ª, na 14ª, na 15ª e na 16ª Varas Criminais. Duas delas são por estupro e roubo; uma por estupro; e outra por estelionato. Um dos casos já está pronto para ser julgado.

A detenção e a condenação do motorista de aplicativo amenizaram a dor de uma vítima de outro processo que corre na Justiça Estadual. "Já abriu um caminho, já me sinto um pouco mais segura", afirma.

Após o estupro sofrido por ela, os familiares perceberam que a placa do veículo que Patrick dirigia era diferente das informações do aplicativo.

"A placa era de uma moto. Como ela tava sem internet, só deu tempo de ela chamar o carro. Quando chegou, ela não conferiu placa nem nada. No bairro Dunas, tem uma bifurcação escura. Ele parou o carro, cometeu o abuso, bateu nela e mandou sair do carro. Ela procurou um condomínio perto e pediu ajuda", detalha um parente, que também não quis se identificar.

Mais vítimas

O promotor Marcos William, do Ministério Público do Ceará (MPCE), responsável pela acusação ao réu em outro processo, acredita que o número de vítimas de Patrick do Nascimento é maior do que a Justiça conhece. "Provavelmente, tivemos outros casos, em que a vítima não procurou a Polícia. Muitas vítimas não têm coragem de fazer a denúncia. Só depois que os outros casos vieram à tona, ela veio denunciar, cinco meses depois", comenta, ao se referir à ação penal em que elaborou a denúncia.

O motorista do aplicativo 99 Pop repetia o "modus operandi" nos crimes sexuais. "Ele usava outro nome no aplicativo. As passageiras pediam a corrida, ele levava para as proximidades do bairro Dunas, as estuprava e subtraia, mediante violencia, objetos das vítimas, dinheiro, celular, geralmente à noite", conta o promotor.

Assistência

A vítima ouvida pela reportagem e os familiares reclamam que a 99 Pop nunca os procurou para oferecer qualquer tipo de ajuda e já os processou por danos morais - ação pela qual a empresa ainda será intimada. "O aplicativo em si não tomou nenhuma providência. A gente (vítima) que foi atrás, porque senão ele ainda estaria solto", afirma a mulher. 

Em nota, a 99 disse que "lamenta profundamente os graves casos de violência ocorridos em 2018, em Fortaleza, envolvendo um motorista cadastrado na plataforma. Na ocasião, a empresa imediatamente baniu o condutor do aplicativo e colaborou ativamente com as autoridades nas investigações. Diante dos fatos, a empresa adotou uma série de medidas adicionais para aumentar a segurança das corridas, entre eles a revisão completa do processo de cadastramento de novos motoristas e a reanálise presencial de 100% da documentação dos condutores ativos na plataforma. Além disso, lançou novos recursos de segurança como: - Reconhecimento facial que periodicamente identifica o rosto dos motoristas antes de eles se conectarem ao app; Solicitação, no momento do cadastro, de uma selfie do condutor segurando a carteira de habilitação, além de foto de CNH e licenciamento; Passageiros são convidados a verificar se a imagem do motorista bate com quem realizou a corrida, antes e depois da chamada; Algoritmo que rastreia automaticamente denúncias de assédio e estupro deixadas nos comentários ao fim das corridas. A 99 se solidariza com a vítima e com seus familiares e manteve contato com eles no período, oferecendo todo o apoio possível. O auxílio inclui informações sobre como obter o seguro pessoal que cobre acidentes pessoais de todos os usuários da plataforma durante as corridas. O aplicativo informa, porém, que a vítima e sua família não realizaram a ativação do seguro".

FONTE:G1/CE

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