quinta-feira, 5 de março de 2020

Líder do motim da PM no Ceará, Cabo Sabino se apresenta à Justiça Militar e é liberado

O ex-deputado federal Cabo Sabino se entregou à Justiça Militar do Ceará na noite desta quinta-feira (5). Ele compareceu ao distrito policial acompanhado do advogado e foi liberado em seguida. Havia um mandado de prisão aberto contra ele por suspeita de liderar o motim de policiais militar no estado, ato que é considerado ilegal pela Constituição Federal e reforçado em entendimento do Supremo Tribunal Federal em 2017.

O juiz Roberto Soares Bulcão Coutinho revogou o mandado de prisão contra o líder do movimento. Conforme o juiz, com o fim do motim dos policiais, a liberdade do ex-parlamentar não oferece risco à ordem pública. O juiz determinou que Sabino fique seis meses longe de quartéis militares.

O mandado de prisão contra o policial foi divulgado à imprensa na sexta-feira (28). Nesta quarta-feira (4), o governador do Ceará, Camilo Santana, informou que ele era procurado. "Estamos atrás dele e não conseguimos encontrar", afirmou Camilo, em entrevista à Globo News.

Em publicação no diário oficial do estado do Ceará, Cabo Sabino foi classificado como líder da manifestação. Conforme o decreto que afastou o ex-deputado da polícia do estado, Sabino fez as convocações para que os policiais abandonassem o posto de trabalho.

Durante o motim, a Controladoria Geral de Disciplina afastou o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante-CE) da Polícia Militar do Ceará por "incapacidade moral do mesmo de permanecer nos quadros" da segurança pública do estado.

Violência durante o motim


Encapuzados ocupam unidade da tropa de elite da PM do Ceará em Sobral — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

Em 13 dias com ausência da Polícia Militar nas ruas, houve um salto da violência no estado. O número de assassinatos no Ceará cresceu 138% quando comparados os primeiros 25 dias do mês de fevereiro de 2019 e 2020.

Os policiais decidiram pelo fim da paralisação na noite de domingo (1º), em votação no 18º Batalhão da PM, epicentro do movimento. Cabo Sabino informou aos policiais as condições que o Governo do Estado oferecia.

"Vocês acabaram de assinar a minha demissão", afirmou Sabino após a decisão pelo fim do movimento paredista.

A principal reivindicação da categoria, a anistia para os policiais amotinados, não foi atendida pelo Governo do Estado.

Fonte:G1/CE

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