terça-feira, 4 de agosto de 2020

Eterno Didi, Renato Aragão já foi zagueiro no Gentilândia e revive boas memórias no campo e na TV

Antes de eternizar o personagem Didi na televisão e no cinema, Renato Aragão nutria grande paixão pelo futebol e até cogitou tornar-se jogador profissional. O cearense revelou em entrevista exclusiva ao ge que chegou a receber oferta de contrato do Gentilândia Atlético Clube, time cearense extinto em 1968, e pensou em aceitar a proposta. No entanto, os compromissos com os estudos e o emprego à época fizeram Renato desistir do sonho. Mas ficaram as boas memórias...


Antes de ser Didi, Renato Aragão recebeu proposta para se tornar profissional de futebol

- Eu era muito amigo do dono do time. Ele fazia faculdade comigo. Ele me convidou para a equipe, disse: "Olha, Renato, você é bom de futebol. Quer participar de um treino?". Aí eu fiz o treino, me dei bem e fui aprovado. Respondi: "Cabeleira, como é que eu posso se eu trabalho, faço faculdade e tudo? Eu quero só fazer um amistoso aqui com a turma e estou feliz - disse Renato.

Renato Aragão foi zagueiro de clube cearense e relembra

O convite surgiu em 1958 e foi tentador. Apenas dois anos antes, o Gentilândia havia sido campeão Cearense, em 1956, e virou queridinho do público cativo de futebol na capital. Contudo, o rubro-negro fortalezense não conseguiu obter o mesmo êxito após a conquista de 56. Depois de sucessivas más campanhas, ocasionadas por má gestão do clube, encerrou as atividades e foi extinto em 1968.

Na época, Renato Aragão era estudante de Direito da Universidade Federal do Ceará, por onde chegou a se graduar bacharel em 1961, e mantinha um emprego no Banco do Nordeste. Ele conta que os compromissos com a faculdade e com o banco o fizeram tomar a decisão de não assinar o contrato.

- Eu tinha vontade de ser um jogador profissional. Eu só fiz um treino com a turma e depois fiz um joguinho amistoso e pronto. Não foi um jogo oficial, mas estava feliz da vida. Tinha vontade de ser (jogador de futebol), mas não podia por causa dos meus estudos - relatou o humorista.



Renato Aragão, zagueiro em amistoso do Gentilândia — Foto: Acervo Pessoal de Renato Aragão

Dentro de campo, jogou na posição de Center-half ou típico camisa 5. A função era muito comum em escalações de times nordestinos até os anos 1960. A característica principal era a atuação defensiva pelo meio de campo. Com a modernização do futebol, a posição foi substituída pela figura do zagueiro central.

Ao que parece, a única estrela que disputou aquele amistoso foi o próprio Renato: “Só lembro do meu nome e do dono do time, que eu chamava de "o Cabeleira".

Paixão Raiz

- Quando eu era adolescente ainda, antes da faculdade, eu fazia outros jogos por outros times. Jogava num time chamado ‘Sport’. Não tinha chuteira, era tornozeleira. E, então, a gente fazia uma preliminar para entrar no time oficial. Era um time que nunca perdia, quando perdeu se acabou - relembrou Renato Aragão.

O artista ainda relembrou a infância em Sobral. Ele conta que as primeiras arrancadas no esporte foram no improviso, com uma bolinha de meia, como era e ainda é costume em muitas "peladas" ou "rachas" entre jovens que não se importam muito com a carência de equipamentos, mas têm nas traves de chinelo e no campo de terra batida as maiores felicidades do mundo.

Alguns anos depois da curta aventura no futebol, em 1964, Renato Aragão embarcou para o Rio de Janeiro e iniciou a jornada que o tornou nacionalmente conhecido por diversos filmes, séries e programas de televisão. Enquanto fazia comédia, nunca deixou o futebol de lado, sempre fazendo referências ao esporte.

— Foto: ge.globo/ce

Um dos momentos mais inesquecíveis da carreira do ator foi quando entrou em campo com Pelé e agitou uma multidão ansiosa de 121 mil pessoas para ver Flamengo e Vasco em pleno Maracanã. A cena marcante foi gravada no intervalo do clássico para o filme “Os Trapalhões e o Rei do Futebol” (1986), com direção de Carlos Manga.

Dentre as filmagens icônicas, teve Pelé como goleiro e até o atacante Cardeal (interpretado por Renato Aragão) cobrando escanteio e correndo à pequena área para ele mesmo marcar o gol. O resultado final foi um sucesso de bilheteria com um total de 3.616.696 espectadores nas salas de cinema do Brasil.

Renato também homenageou o futebol em algumas esquetes d’Os Trapalhões (TV Globo). Questionado sobre qual clube do Nordeste tem mais afeição, o humorista se negou a revelar e preferiu desviar do assunto.

- Não posso falar, não. Eu torço para todos os times do Norte e do Nordeste. Todos são meus times, não tenho um time especial não.

Aos 85 anos, o cearense nascido em Sobral continua sendo um entusiasta do futebol. Guarda com muito carinho na memória os raros momentos como jogador de futebol e relembra com nostalgia.

- Eu estou muito feliz de lembrar daquele tempo de adolescente, de jogar futebol. Vivia para isso, na época que eu estudava no científico e ginasial. E me alegrou muito recordar essa turma toda.

FONTE:G1/FUTEBOL CEARENSE

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